Trabalho Colaborativo entre Escola e Família no Processo de Inclusão: Acolhimento, Orientação e Troca de Experiências
Educação Inclusiva; Trabalho Colaborativo; Ação-Reflexão-Ação; Tecnologia Social; Relação Escola-Família
A presente pesquisa, intitulada “Trabalho Colaborativo entre Escola e Família no Processo de Inclusão: Acolhimento, Orientação e Troca de Experiências”, investiga a construção de estratégias institucionais capazes de fortalecer a relação entre escola e família na perspectiva da Educação Inclusiva. O objetivo geral consiste em analisar como o trabalho colaborativo entre esses atores pode qualificar o processo de inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais (ENEEs). Nesse sentido, a pesquisa busca identificar fragilidades e potencialidades do acolhimento institucional no contexto escolar, compreender as percepções de gestores, professores e famílias acerca da comunicação e da parceria no processo inclusivo bem como sistematizar diretrizes práticas que promovam hospitalidade, orientação de direitos e protagonismo familiar. O referencial teórico fundamenta-se nos pressupostos da Educação Inclusiva e da gestão democrática, dialogando com autores como Mantoan (2003), Glat (2007), Lück (2009), Vygotsky (1998), Buber (2001), Freire (1996), Dagnino (2004) e Bardin (2011), entre outros, que contribuem para a compreensão da inclusão, do diálogo, da mediação social e da construção de tecnologias sociais no campo educacional. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza aplicada, desenvolvida por meio da Pesquisa-Ação, estruturada no ciclo Ação-Reflexão-Ação (ARA) e articulada ao estudo de caso. O campo de investigação foi uma escola pública do Distrito Federal, envolvendo gestores, professores, profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e familiares de estudantes ENEEs. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante, entrevista semiestruturadas, roda de conversa, grupo focal e análise documental, sendo organizados e interpretados à luz da análise de conteúdo. Os resultados revelaram potencial institucional para a construção de práticas mais acolhedoras e colaborativas e evidenciaram, também, fragilidades no fluxo de comunicação, burocratização dos processos e lacunas na escuta às famílias. A partir desse movimento analítico e reflexivo, foi possível construir coletivamente o Guia de Acolhimento Institucional e Trabalho Colaborativo, estruturado em eixos voltados à recepção ética, organização de informações pedagógicas, fortalecimento do trabalho colaborativo e orientação de direitos, e concebido como tecnologia social aplicável à rede pública de ensino. Conclui-se que a sistematização do acolhimento, aliada ao fortalecimento da relação escola-família, contribui para a construção de uma cultura institucional mais inclusiva, favorecendo o sentimento de pertencimento, a participação das famílias e o desenvolvimento integral dos estudantes.