Banca de DEFESA: BRUNO RAMOS BRUM

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : BRUNO RAMOS BRUM
DATA : 30/06/2022
HORA: 14:00
LOCAL: ENSINO REMOTO EMERGENCIAL
TÍTULO:

 RESILIÊNCIA DAS AVES FRENTE A POLUIÇÃO AMBIENTAL CAUSADA POR AGROTÓXICOS E
MERCÚRIO NO PANTANAL MATO-GROSSENSE


PALAVRAS-CHAVES:

Aves insetívoras; Agrotóxicos; Bioindicadores; Ecotoxicologia; Mercúrio; Pantanal.


PÁGINAS: 117
RESUMO:

As rápidas mudanças ambientais induzidas pelo homem representam as maiores ameaças para as populações da vida selvagem e englobam muitas perturbações ambientais, incluindo perda de habitat, introdução de espécies exóticas, mudanças climáticas e contaminação por aplicações de fertilizantes e agrotóxicos, oriundos da complexa cadeia produtiva do agronegócio, que por sua vez, culmina num aumento da acumulação de metais como o mercúrio na água e no solo. A exposição de organismos não-alvo a estes compostos químicos, é bastante comum, resultando em inúmeros casos de intoxicação aguda na população silvestre, particularmente em aves, que possuem baixos níveis de enzimas detoxificantes, aumentando sua sensibilidade. Devido a persistência no ambiente e sua capacidade de bioacumulação e bimagnificação, tanto os multiresíduos de agrotóxicos, quanto o mercúrio, tem sido associado ao declínio de populações de aves em diversas partes do mundo. Deste modo, as aves têm desempenhado um importante papel como bioindicadoras ambientais, sendo que diferentes espécies podem ser úteis devido as distintas capacidades de bioacumulação. Estudos recentes indicam que a disponibilidade de multiresíduos de agrotóxicos e mercúrio podem ser aumentadas em áreas onde existem flutuações do nível da água e habitats vegetados que experimentam ciclos úmidos e secos durante o ano. Assim, áreas como o Pantanal brasileiro, que apresenta estas características, estão predispostas a serem hotspots de exposição aviária a estes compostos tóxicos. Diante disso, apresentamos no capítulo 1 uma pesquisa cienciométrica acerca dos impactos dos agrotóxicos utilizados na agricultura ao longo de 21 sobre as aves insetívoras, insetívoras. Foram encontrados 16 trabalhos, distribuídos em nove países, incluindo 50 espécies de aves enquadradas em quatro categorias de status populacional. Além disso os resultados demostraram que estas aves tiveram ao menos um órgão/tecido/estrutura (fígado, fezes, bolo estomacal, plasma sanguíneo, tecido muscular, itens alimentares, ovos) contaminado por um dos 21 tipos de compostos químicos apresentados nos artigos analisados, que afetam diretamente sobrevivência das mesmas. Aves insetívoros que habitam matas ripárias de planícies de inundação ao predar invertebrados os, tendem a ampliar o comprimento de suas cadeias alimentares, aumentando a oportunidade de biomagnificação de compostos químicos em seu organismo. O conhecimento sobre ecologia trófica e particionamento de recursos alimentares por aves insetívoras apresenta grande importância científica. Assim, no segundo capítulo investigamos as relações tróficas por meio de análises sobre partição de recursos alimentares, entre espécies de aves insetívoras de um gradiente longitudinal de mata ripária, na porção norte do Pantanal de Mato Grosso. Os espécimes foram capturados com rede de neblina por meio de uma sequência de 9 redes de 9m x 2m, malha 36mm, que permaneceram abertas durante 4 horas contínuas. Foram coletados 126 espécimes pertencentes a 14 espécies. Os itens alimentares mais consumidos pelas aves amostradas foram insetos pertecentes a ordem Coleoptera, Hyminoptera-Formicidae, Himenoptera, Diptera, Ixodida e Hymenoptera não Formicidae, respectivemante, indicando uma maior generalização das espécies estudadas quanto à exploração de alimento. Por fim, apresentamos no terceiro capítulo o primeiro trabalho utilizando aves insetívoras do Pantanal Norte como bioindicadores da exposição ao mercúrio, com o objetivo de conhecer o padrão de acúmulo deste metal em diferentes órgãos (músculo, fígado e encéfalo) e pena. Foram coletados um total de 218 exemplares e as amostras foram analisadas por espectrometria de absorção atômica de análise direta (DMA-80). As concentrações de mercúrio apresentaram valores em ordem crescentes, de músculo < encéfalo < fígado < pena, independentemente do local de coleta, apresentando variação na média nas concentrações de mercúrio de (0,07 a 0,27 µg.g-1), (0,04  a 0,62 µg.g-1), (0,14 a 0,81 µg.g-1 ) e (0,77  a 3,49  µg.g-1 ), respectivamente. Ao longo do gradiente o teste Kruskal-Wallis revelou diferenças significativas entre as concentrações nos tecidos onde músculo apresentou (KW = 73,88 p < 0,001), encéfalo (KW = 100,23, p < 0,002), fígado (KW = 65,42, p < 0,009) e pena (KW = 39,52, p < 0,005) de maneira que a concentração de mercúrio nos tecidos das aves insetívoras aumenta seguindo o sentido do curso d´água, dos pontos à montante Porte Estrela e Barra do Bugres para jusante, Taiamã. Nossos resultados evidenciam que o mercúrio está presente nas teias alimentares do Pantanal Norte do Brasil e pode se biomagnificar em concentrações significativas não somente em espécies predadoras piscívora, mas também em aves insetívoras da região estudada.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 83200001 - AUREA REGINA ALVES IGNACIO
Interno - 118188001 - ERNANDES SOBREIRA OLIVEIRA JUNIOR
Interno - 110049004 - MARIA APARECIDA PEREIRA PIERANGELI
Externo à Instituição - DÉBORA FERNANDES CALHEIROS - EMBRAPA
Externo à Instituição - INAJÁ FRANCISCO DE SOUSA - UFS
Externo à Instituição - RENATO ZANELLA - UFSM
Notícia cadastrada em: 07/06/2022 13:14
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