ANÁLISE E PLANEJAMENTO AMBIENTAL DA MICROBACIA MARIANA, ALTA FLORESTA-MT
Planejamento Ambiental; Microbacias hidrográficas, Conservação Hídrica, Geotecnologias; Amazônia
Esta dissertação analisa as condições ambientais das Microbacias Hidrográficas Mariana I e II, localizadas no município de Alta Floresta, norte do estado de Mato Grosso, destacando sua importância para a conservação dos recursos hídricos, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a segurança hídrica municipal. As microbacias integram o sistema hidrográfico do Rio Taxidermista, manancial estratégico para o abastecimento público urbano e sustentabilidade ambiental regional. O objetivo da pesquisa foi realizar uma análise integrada das características físicas, ambientais e hidrológicas das Microbacias Mariana I e II, visando subsidiar o planejamento ambiental e a proposição de práticas conservacionistas voltadas à proteção dos recursos hídricos e ao uso sustentável da terra. A metodologia baseou-se na integração de geotecnologias, sensoriamento remoto, Sistemas de Informação Geográfica (SIG), análise morfométrica, avaliação do uso e cobertura da terra, caracterização pedológica e aplicação de indicadores de fragilidade ambiental. Os resultados evidenciaram que as microbacias apresentam rede hidrográfica de elevada relevância para a manutenção das vazões e da recarga hídrica regional, com predominância de canais de primeira ordem e padrão de drenagem dendrítico. A análise do relevo demonstrou predomínio de áreas planas e suavemente onduladas, favorecendo a ocupação agropecuária ao longo das últimas décadas. A avaliação dos solos indicou predominância de Argissolos e Latossolos, cujas características influenciam diretamente os processos de infiltração, escoamento superficial e suscetibilidade à erosão. A análise multitemporal do uso e cobertura da terra entre 1985 e 2025 revelou significativa redução da vegetação nativa, expansão das áreas de pastagem e crescimento das atividades agrícolas, resultando em maior fragmentação da paisagem e intensificação das pressões sobre as Áreas de Preservação Permanente (APPs), nascentes e drenagens. Essas transformações contribuíram para o aumento da vulnerabilidade hidroambiental, favorecendo processos erosivos, transporte de sedimentos e redução da capacidade natural de regulação hídrica das microbacias. Com base no diagnóstico ambiental integrado, foram identificadas áreas prioritárias para conservação e recuperação ambiental, especialmente em APPs degradadas, nascentes e setores suscetíveis à erosão. Como estratégias de manejo, propõem-se a recuperação da vegetação ripária, proteção de nascentes, implantação de barraginhas, terraceamento, curvas de nível, recuperação de pastagens degradadas e adoção de sistemas produtivos sustentáveis, visando fortalecer a segurança hídrica, reduzir a fragilidade ambiental e promover a sustentabilidade territorial das Microbacias Mariana I e II.