ANÁLISE DO DESEMPENHO DE UM SISTEMA DE WETLANDS CONSTRUÍDO EM ESCALA PILOTO NO TRATAMENTO DE EFLUENTE DOMÉSTICO: UM ESTUDO DE CASO EM CÁCERES/MT
Wetlands construídos, tratamento de efluentes, Pantanal.
Este estudo avaliou o desempenho de um sistema de wetlands construído em escala-piloto, cultivado com Heliconia psittacorum, para o tratamento de efluente doméstico na Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Cohab Nova, em Cáceres/MT. A análise estatística evidenciou estabilidade no pH entre entrada e saída do sistema (7,08 e 7,12, respectivamente; p > 0,05), indicando manutenção do equilíbrio ácido-básico. Observou-se um incremento significativo, porém modesto, no oxigênio dissolvido (OD), sugerindo leve oxigenação durante o percurso pelo wetlands (p < 0,05). O sistema apresentou eficiência estatisticamente significativa na remoção de sólidos totais dissolvidos (TDS), turbidez e nitrito, com reduções médias de 14,9%, 70% e 34%, respectivamente, ao longo do monitoramento. Por outro lado, houve tendência de aumento das concentrações de fósforo e demanda bioquímica de oxigênio (DBO) na saída, embora sem significância estatística, indicando possíveis processos de liberação interna de fósforo e acúmulo de matéria orgânica que limitam a capacidade do sistema para esses parâmetros. Modelos de regressão linear simples mostraram respostas funcionais positivas do sistema à carga aplicada para a maioria dos parâmetros, especialmente TDS (R²=0,83; p < 0,0001), turbidez (R²=0,67; p < 0,01), DBO (R²=0,58; p < 0,05) e fósforo (R²=0,35; p < 0,05), indicando ausência de saturação para essas variáveis dentro das condições estudadas. O pH e o OD não apresentaram correlação significativa com a carga, refletindo estabilidade e influência de fatores externos, respectivamente. Os resultados confirmam o potencial do wetlands construído para remoção seletiva de contaminantes físicos, químicos e biológicos em efluentes domésticos, porém destacam limitações no controle de nutrientes e matéria orgânica, que devem ser consideradas no planejamento de estratégias complementares e no dimensionamento do sistema. Ambientalmente, a integração da vegetação nativa e o uso de materiais locais (areia e brita) permitiram operação com baixa geração de resíduos e consumo energético mínimo, garantindo compatibilidade com o meio ambiente e conservação dos recursos hídricos locais. Economicamente, o sistema apresentou baixo custo de implantação e operação, favorecido pela utilização de mão de obra local e simplicidade construtiva, tornando-se uma alternativa financeiramente viável para comunidades com infraestrutura sanitária limitada.