Entre Luanda e Lisboa: as marcas do trânsito afrodiaspórico nos romances Esse Cabelo e Luanda, Lisboa, Paraíso de Djaimillia Pereira de Almeida
Literatura afropea, Identidade, afrodiáspora, Djaimilia Pereira.
A tese, intitulada Entre Luanda e Lisboa: as marcas do trânsito afrodiaspórico nos romances Esse Cabelo e Luanda, Lisboa, Paraíso de Djaimillia Pereira de Almeida, busca evidenciar as marcas do trânsito afrodiaspórico na produção literária da escritora, apontando as questões da diáspora e da identidade como matéria temática substancial de sua produção, a fim de apontar como esta característica é intrínseca à sua identidade autoral como sujeito diaspórico. A presente investigação se constrói mediante pesquisa de natureza qualitativa, bibliográfica e interpretativa, leitura analítica e comparativa com foco nas formas de construção das personagens protagonistas, as marcas de memória e identidade afrodiaspóricas, as vozes narrativas e como apresenta os mecanismos de escrita que evidenciam tais características no corpus dos romances escolhidos para análise. Parte-se da hipótese de que o trânsito afrodiaspórico é um dos elementos estruturantes da escrita de Djaimilia Pereira de Almeida, manifesto tanto na menção dos deslocamentos geográficos quanto nas experiências de negociação, fragmentação e reestruturação identitária de suas personagens nas obras. Outra hipótese é de que Mila, em Esse cabelo (2015), e Cartola e Aquiles, em Luanda, Lisboa, Paraíso (2017), são construídos em constante tensão entre diferentes lócuses culturais entre memórias e pertencimento, entre conflitos e movências, com identidades fluidas, em crise, lançando luz aos efeitos históricos e subjetivos do colonialismo e da afrodiáspora, com identidades fluidas, em crise. Assim sendo, outra hipótese que orienta a investigação é que a representação desses sujeitos deslocados rompe com a ideia de imigrante e os aproxima da experiência afropeia caracterizada pela busca de pertencimento e reconhecimento em espaços nos quais a identidade não se integram plenamente nem no espaço africano nem no modelo de pertencimento europeu. Cujas nomenclaturas e definições são “afropeus” que ocupam o espaço virtual utópico da “afropea”, termos estudados por Johnny Pitts (2022) e Leonora Miano (2025), respectivamente, usados para nomear as identidades provindas das experiências plurais dos sujeitos no contexto de diáspora, bem como, por estes não estarem mais em África e nem se sentirem integrados como europeus, a partir daí reclamarem um lugar de reconhecimento de suas identidades fora do prisma de imigrante no contexto social europeu. Todos esses fenômenos provenientes do processo da afrodiáspora são temas frequentes nas manifestações artísticas desses sujeitos enquanto indivíduos atravessados pela vivência na diáspora. Sendo escritores afrodescendentes que compõem uma literatura negra em solo europeu, as questões identitárias étnicas e culturais são substância significativa de suas manifestações artísticas e produções literárias. É o que se depreende da análise das primeiras obras de Djaimilia Pereira de Almeida. O corpus crítico e teórico dessa pesquisa está ancorado principalmente pelas reflexões de Fanon (2020), Gilroy (2012), Du Bois (2021), (Munanga (2018), Matta (2025), dentre outras, que dialogam acerca das condições sociais de sujeitos negros em diáspora e suas relações culturais, bem como as manifestações artísticas desses sujeitos, sobretudo, na literatura.