Banca de DEFESA: SIMONE DE BARROS BERTE

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SIMONE DE BARROS BERTE
DATA : 30/03/2026
HORA: 08:00
LOCAL: PPGEL
TÍTULO:

ENTRE SUBMISSÃO E EMANCIPAÇÃO: REPRESENTAÇÕES DE MULHERES
MOÇAMBICANAS NA NARRATIVA O ALEGRE CANTO DA PERDIZ, DE PAULINA CHIZIANE


PALAVRAS-CHAVES:

 

literatura de autoria feminina; Paulina Chiziane; mulheres moçambicanas; colonialidade; decolonialidade.


PÁGINAS: 177
RESUMO:

 

Esta tese foi desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Estudos Literários, na linha de
pesquisa Literatura e Vida Social nos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade
Estadual de Mato Grosso. Teve como objetivo examinar, no romance moçambicano O alegre
canto da perdiz (2018), de Paulina Chiziane, as representações de mulheres moçambicanas
pertencentes a três gerações de uma mesma família. A tese sustenta que, no romance, as
heranças coloniais são reelaboradas nas relações familiares e nas estratégias de mobilidade
das personagens, configurando uma dinâmica geracional da experiência feminina negra em
que persistem e se deslocam hierarquias raciais, culturais e de gênero. A leitura parte dos
estudos pós-coloniais e feministas para examinar como o romance dramatiza, no interior das
relações familiares e afetivas, os efeitos históricos da colonialidade sobre a experiência
feminina negra. A obra incorpora elementos da tradição oral e da memória coletiva,
historicamente negados pelo discurso colonial, reinscrevendo formas culturais ancestrais que
promovem a reflexão sobre o passado como estratégia de resistência e reconfiguração do
presente. Essas dimensões atravessam as personagens femininas centrais da narrativa,
Serafina, Delfina, Maria das Dores e Maria Jacinta, moldando seus desejos, sonhos e
trajetórias de vida. Por meio dessa reinscrição do feminino como sujeito de memória, de
desejo e de imaginação política, permite compreender de que modo a representação
intergeracional elabora as marcas coletivas da experiência histórica, reconstruindo as
possibilidades de existência no presente, inscrevendo-as também como sujeitos do futuro, de
si próprias e das gerações futuras. O trabalho apoia-se sobretudo nas abordagens pós-coloniais
e feministas, que estruturam uma leitura crítica, articulando reflexões sobre oralidade e
colonialidade às formas de elaboração crítica da modernidade na obra. Entre os referenciais
mobilizados, destacam-se Mikhail Bakhtin, na compreensão do romance como gênero
dialógico; Walter Benjamin, Ian Watt e Roland Barthes, quanto às relações entre forma
literária, historicidade e construção discursiva; e Edward Said e Benjamin Abdala Junior, na
análise das representações discursivas da África. O estudo dialoga ainda com os aportes pós-
coloniais e decoloniais de Homi Bhabha, Albert Memmi, Frantz Fanon e Grada Kilomba, no
exame das ambivalências e dos efeitos psíquicos do racismo, bem como com Kwame
Anthony Appiah, no debate sobre identidade pós-colonial. No âmbito da crítica literária
moçambicana, dialoga-se ainda com Inocência Mata, Ana Mafalda Leite, Leda Martins, Maria
Geralda de Miranda, Rita Chaves, Tania Macedo, Vera Maquêa e outros dedicados ao campo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 83238001 - VERA LÚCIA DA ROCHA MAQUÊA
Interna - 54869003 - MARINEI ALMEIDA
Externa ao Programa - 254986024 - ANA CLAUDIA SERVILHA MARTINS POLETO
Externa à Instituição - NORMA SUELI ROSA LIMA - UERJ
Externo à Instituição - SAVIO ROBERTO FONSECA DE FREITAS - UFPB
Notícia cadastrada em: 16/03/2026 17:35
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