“TEMPO DE NOS AQUILOMBAR”: QUILOMBISMO E CONTEMPORANEIDADE EM PONCIÁ VICÊNCIO, DE CONCEIÇÃO EVARISTO
Quilombismo; Resistência; Conceição Evaristo; Ponciá Vicêncio
Esta pesquisa propõe uma reflexão crítica acerca das representações do quilombismo, da contemporaneidade, do racismo estrutural e das questões identitárias do povo negro e suas vozes subalternizadas no romance Ponciá Vicêncio (2003), de Conceição Evaristo, uma das maiores escritoras da Literatura Brasileira. Uma questão nos conduz para a sistematização dessa reflexão com foco na trajetória da literatura contemporânea, marcada pela sensibilidade social e o compromisso com a representação de mulheres pretas: Quem é a mulher preta expressa na prosa literária atual? Para responder essa pergunta, elegemos o romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, publicado em 2003. Para a elaboração do percurso histórico das produções de literatura contemporânea negra brasileira, no intuito de compreensão e análise crítica do romance de Conceição Evaristo, o suporte teórico centrou-se em estudos de Bernd (1988), Munanga (1988), Ianni (1998), Gilroy (2001), Bosi (2002), Proença Filho (2004), Carneiro (2005), Assis (2008), Agamben (2009), Schøllammer (2009), Fonseca (2010), Dalcastagnè (2012). Para discutir as questões identitárias e sobre a memória no romance, tem-se como embasamento teórico Halbwachs (1990), Ricouer (2007) e Hall (2019). Como escritora que escreve sobre o povo preto, Conceição Evaristo realiza sua prosa como um ato de resistência, fazendo da escrita suas “escrevivências”. É por meio das memórias e das vivências que denunciam e transformam em luta, dores e afetos e inclusive silêncios, em literatura. A palavra que acomoda sua escrita está ancorada na vivência e na memória. Sua prosa, em especial o romance, como Ponciá Vicêncio, engendra a experiência da personagem mulher preta nas suas formas de afetividade, sua trajetória como filha, mãe, esposa.