Banca de QUALIFICAÇÃO: MARGARETE CONCEIÇÃO NOGUEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARGARETE CONCEIÇÃO NOGUEIRA
DATA : 02/02/2026
HORA: 10:00
LOCAL: PPGEL
TÍTULO:

A INFÂNCIA COMO ESPAÇO DE CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE E OBSERVAÇÃO DO MUNDO NA LITERATURA DE ONDJAKI


PALAVRAS-CHAVES:

literatura angolana; memória cultural; oralidade; pós-colonialidade;
subjetividade infantil.


PÁGINAS: 152
RESUMO:

A presente tese investiga a representação da infância na obra de Ondjaki, compreendendo-a
como espaço privilegiado de construção identitária, observação do mundo e elaboração
simbólica da memória. Em um contexto angolano marcado pelas camadas históricas da
colonização, da guerra civil e dos processos de reconstrução nacional, a infância, nas obras
analisadas, emerge não como fase preparatória, mas como horizonte epistemológico e estético
a partir do qual se interpreta a realidade. A análise comparativa de quatro obras — Os da
Minha Rua (2021), Uma Escuridão Bonita (2013), A Bicicleta que Tinha Bigodes (2011) e
Bom Dia, Camaradas (2001) — permitiu compreender como a escrita de Ondjaki articula
oralidade, memória, lirismo e crítica social na configuração de um olhar infantil capaz de
iluminar dimensões íntimas e coletivas da experiência angolana. Do ponto de vista teórico, o
estudo dialoga com Philippe Ariès, Walter Benjamin, Maurice Halbwachs, Gaston Bachelard
e Maria Nikolajeva, além de pensadores africanos como Frantz Fanon, Achille Mbembe e
Inocência Mata. Esses referenciais possibilitaram entender a infância como categoria histórica
e cultural, a memória como fenômeno individual e coletivo, os espaços afetivos como
extensão do vivido e a literatura infantojuvenil como território estético e político. Os
resultados evidenciam que, em Os da Minha Rua, a infância é reconstruída como cartografia
afetiva da cidade, onde a rua e o bairro se tornam lugares de pertencimento, convivência e
resistência. Em Uma Escuridão Bonita, a adolescência é marcada por descobertas sensoriais e
afetivas, em que o silêncio, a brevidade e o instante revelam modos delicados de perceber o
outro. Em A Bicicleta que Tinha Bigodes, o desejo infantil confronta desigualdades sociais, e
a bicicleta torna-se metáfora de sonho, liberdade e reinvenção. Já Bom Dia, Camaradas situa
a infância no interior dos discursos políticos do pós-independência, revelando tensões entre
ideais revolucionários e contradições cotidianas. Conclui-se que a infância, na obra de
Ondjaki, não apenas ressignifica a memória individual, mas se converte em ferramenta crítica
para compreender a Angola contemporânea. Sua escrita combina humor, lirismo e oralidade
para construir narrativas que revelam a potência da criança como sujeito que observa,
interpreta e reinventa o mundo. Ao devolver à infância o poder de narrar, Ondjaki reafirma
que é no gesto de lembrar e imaginar que um povo reencontra a sua identidade. Assim, esta
pesquisa demonstra que a literatura da infância, para além de sua dimensão estética, constitui
espaço de resistência simbólica, formação sensível e ampliação das possibilidades de leitura
da vida e da história.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 83238001 - VERA LÚCIA DA ROCHA MAQUÊA
Interno - 82321001 - ISAAC NEWTON ALMEIDA RAMOS
Interna - 54869003 - MARINEI ALMEIDA
Notícia cadastrada em: 10/02/2026 12:53
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