PROPAGAÇÃO VEGETATIVA POR ESTAQUIA DE Erythrina fusca Lour. COM ÁCIDO INDOLBUTÍRICO: SUBSÍDIOS PARA A RESTAURAÇÃO DE ABOBRAIS NO PANTANAL MATO-GROSSENSE
abobral; propagação assexuada; fitohormonio; restauração ecológica
Os incêndios de 2020 e 2021 atingiram extensas áreas do Pantanal mato-grossense, entre elas formações monodominantes de Erythrina fusca Lour. (abobrais) da Estação Ecológica (ESEC) de Taiamã, Cáceres, Mato Grosso. A dormência das sementes de Fabaceae e a sazonalidade da frutificação limitam a produção de mudas em escala compatível com a demanda de restauração, o que torna a propagação vegetativa uma alternativa estratégica. Avaliou-se o efeito do ácido indolbutírico (AIB) sobre a brotação e o enraizamento de estacas de E. fusca. Em agosto de 2022 foram coletadas, na ESEC Taiamã, 240 estacas de duas classes de tamanho (35–40 cm e 15–20 cm), submetidas a três tratamentos: AIB líquido a 2.000 ppm, AIB em pó a 6.000 ppm e testemunha. As estacas permaneceram em viveiro por 90 dias, com avaliação semanal da brotação e análise descritiva do sistema radicular ao final, em amostra de 30 indivíduos. Aos 60 dias, 56,25% das estacas (135) haviam emitido brotos e mantido folhas, com brotação entre 47,5% e 65%; a análise de agrupamento indicou 85% de similaridade entre os tratamentos e 95% entre as duas classes tratadas com AIB líquido. O enraizamento alcançou 60% com AIB líquido e nas estacas menores com AIB em pó, contra 40% nas testemunhas, que apresentaram as maiores médias de comprimento radicular. Os resultados indicam elevada competência rizogênica intrínseca de E. fusca, sobre a qual o AIB atuou de modo incremental, e sustentam a estaquia como técnica de baixo custo e resposta rápida para a restauração de abobrais.