Justiça climática e participação popular nas tentativas de concessão do Tramo Norte da Hidrovia Paraguai-Paraná entre Cáceres/MT e Corumbá/MS
Pantanal; rio; audiência pública; justiça climática; Ministério Público.
Esta dissertação examina os conflitos socioambientais e os desafios da justiça climática nas tentativas de privatização e ampliação do Tramo Norte da Hidrovia Paraguai-Paraná, entre Cáceres e Corumbá. O estudo destaca a tensão entre o interesse econômico na logística de transporte e a necessidade de preservação do bioma Pantanal, patrimônio natural ameaçado por intervenções físicas no rio Paraguai. Para isso é analisado como o processo de licenciamento de portos regionais tem sido fragmentado para contornar restrições judiciais e ambientais mais rigorosas. O trabalho tem como foco central as audiências públicas virtuais realizadas durante a pandemia, que, apesar de instrumentos democráticos, apresentaram baixa participação de comunidades tradicionais e ribeirinhos diretamente afetados pelos terminais portuários relacionados a Hidrovia Paraguai-Paraná. A análise das audiências públicas utiliza o método DAFO e o software NVivo para evidenciar as principais palavras e manifestações apresentadas pelos participantes durante as audiências públicas O texto conclui que a efetiva participação popular e o combate ao racismo ambiental são indispensáveis para garantir que o desenvolvimento da hidrovia não ocorra à revelia da sustentabilidade. Para isso, o Ministério Público se apresenta como uma importante instituição na defesa da participação popular nas questões envolvendo o meio ambiente.