UM ESTUDO SEMÂNTICO-ENUNCIATIVO DO NOME “PORTAL DO ENCANTADO”
Palavras-chave: Portal do Encantado; Semântica; Enunciação; Processo de Nomeação.
Este trabalho, vinculado à Área de Concentração de Estudo de Processos Linguísticos, Linha de Pesquisa Estudos dos Processos de Significação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Linguística da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT. A pesquisa tem como objetivo compreender o funcionamento semântico-enunciativo dos enunciados em funcionamento em diferentes materialidades, como: na obra A Coroa do Mundo: religião, território e territorialidade Chiquitano, de Moreira da Costa (2006); no site Terras Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA); no Diário Oficial da União; no site oficial do Ministério dos Povos Indígenas; no material institucional publicado pelo Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); numa publicação veiculada no blog educacional Língua Chiquitano, criado por uma professora da escola indígena localizada no território conhecido como Portal do Encantado. A análise incide sobre o processo de nomeação do Portal do Encantado, terra indígena do povo Chiquitano. Trata-se de um território que se encontra em processo de demarcação física, com área aproximada de 43 mil hectares e perímetro estimado em 121 km, localizado nos municípios de Pontes e Lacerda, Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade, no estado de Mato Grosso, fazendo fronteira com a Bolívia. Partindo dessas questões, busca-se compreender a linguagem como relação de sentidos, concebida a partir da articulação entre a materialidade linguística, a historicidade e a cena enunciativa em funcionamento/ou constituída no agenciamento do acontecimento enunciativo analisado. Para tanto, a pesquisa filia-se à perspectiva teórico-metodológica da Semântica do Acontecimento, conforme proposta por Guimarães (2002 e 2018), segundo a qual o sentido não é dado previamente, mas se constitui no próprio acontecimento do dizer. Nessa perspectiva, a enunciação é tomada como o lugar de produção da significação, e as análises são conduzidas a partir de uma abordagem semântico-enunciativa, que considera os processos de nomeação como práticas do dizer historicamente situadas, agenciadas pelas relações da/na linguagem, memória e institucionalização dos sentidos.