Corpos Transgressores em Trânsito: uma leitura comparativa entre Onde andará
Dulce Veiga, de Caio Fernando Abreu, e O beijo da mulher aranha, de Manuel Puig
Literatura comparada. Corpos transgressores. Gênero e sexualidade. Caio Fernando Abreu. Manuel Puig.
O presente texto apresentado para Qualificação é uma versão preliminar da Tese em que analisamos dois romances na área da literatura comparada: Onde andará Dulce Veiga, do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu (1948-1996), publicado em 1990, e O beijo da mulher aranha (El beso de la mujer araña), do escritor argentino Manuel Puig (1932-1990), publicado inicialmente em 1976, na Argentina (as citações utilizadas aqui são da 7ª edição traduzida para o português, de 1981). O cerne dessa pesquisa concentra-se na perspectiva de corpos transgressores na literatura, e também no cinema. São corpos em trânsito porque se movimentam e resistem no espaço literário (re)afirmando identidades, revelando sexualidade(s) e expondo a complexa e necessária discussão de gênero(s), muito antes dos estudos pioneiros publicados por Judith Butler, por exemplo, e demais acadêmicos que têm se debruçado sobre a pluralidade das questões de gênero, sexualidade e suas representações literárias. Embora haja uma distância temporal entre os romances analisados, há intersecção e confluência na/pela linguagem artística, pela semelhança identitária entre as personagens e, principalmente, pelo contexto político, movimentos sociais e culturais costurados às narrativas, a saber: as ditaduras militares brasileira e argentina; o socialismo; a (re)democratização; as transformações na música; o espaço cultural da cidade de São Paulo; a imbricação das linguagens do cinema e do teatro na literatura e, finalmente, o protagonismo de personagens transexuais nas narrativas. Nesse sentido, ao escolher o campo de estudo comparativo, foi necessário definir um escopo crítico dos dois autores, capaz de dar a tônica no debate sobre os corpos transgressores.