ENSINO DA LÍNGUA NEGAROTÊ E[M] NARRATIVA DE ORIGEM DAS PLANTAS
ensino de língua materna; léxico; língua negarotê; narrativa de origem das plantas da roça; prática de ensino
O presente trabalho tem como objetivo principal discutir o léxico em narrativa de origem das plantas da roça, do povo Negarotê-Nakado´tu, registrar a cultura indígena, os conhecimentos tradicionais e práticas culturais do referido povo pelo ensino da língua Negarotê, o que possibilitará o fortalecimento do saber originário e a iniciativa de futuras pesquisas dentro deste campo cultural/educacional sobre o léxico que se faz presente na narrativa, na relação entre o corpo humano e alimentos nativos da roça, desenvolvendo valores para a construção de novas gerações conscientes. O povo Negarotê se autodenomina Nakado´tu, que significa gente/pessoa/povo. Reside no Estado do Mato Grosso no município de Comodoro, na terra Indígena do vale do Guaporé, região coberta por floresta e assentamento, próximo às cabeceiras dos rios. Atualmente a população é de 185 pessoas, sendo estes falantes da própria língua indígena Nakado´tu-Negarotê, não possui o tronco linguístico, sendo considerada uma língua isolada. As aldeias são divididas em nove (9): Nova Geração, Aldeia Central Negarotê, Aldeia Buriti, Aldeia Jacaré, Jacaré Linha 1, Aldeia Rio Piolho/Murici, Aldeia Tumandu, Aldeia Figueira e Aldeia do Renato. São conhecidos por possuírem suas riquezas naturais de seus rituais, danças, cânticos tradicionais, comidas típicas, ervas medicinais, amplamente vastos em diversidade cultural, sendo a festa da menina-moça o foco principal de reconhecimento. A proposta didática da pesquisa se deu a partir do trabalho com os alunos da escola municipal indígena Rio Vale do Guaporé, sala Anexa Jacaré, de ensino fundamental de 4º e 5º anos, com a narrativa de origem das plantas. A pesquisa foi realizada por etapas, envolvendo gravação da narrativa com anciões, fotografias, transcrição, oficinas e atividades em sala de aula com o objetivo de buscar metodologias de documentação para fortalecer a língua, como a catalogação por desenhos das partes do corpo humano e sua relação com os alimentos e a escrita na língua materna, engajando os conhecimentos formais para a produção de material didático na escola e para comunidade.