Ventre, água e chão: a construção do signo feminino na poesia de Pedro Casaldáliga
feminino, poética, terra
Nesta tese desenvolvemos um estudo sobre a identificação e análise da poética de Pedro Casaldáliga, a partir das imagens femininas que são construídas ao longo dos versos que compõem seus poemas. A pesquisa, a partir da investigação de suas obras, busca analisar o processo de construção dos elementos femininos em sua poética destacando os diferentes momentos em que Casaldáliga versa, no primeiro momento: destacamos a figura de Maria, que representa e dá voz a todas as mulheres, desde a indígena que mora às margens do Rio Araguaia na região mato-grossense sobrevivendo diante da exploração do branco, até a mulher do subúrbio marginalizado nos grandes centros urbanos. Posteriormente, apresentamos os signos femininos que se repetem em sua poética- Água e Terra; entendidos como símbolos do imaginário feminino enraizados em sua sensibilidade. A escrita de Casaldáliga é caracterizada por sua capacidade de problematizar e harmonizar suas vivências, seu local, seu povo. Além de Maria como mãe e sagrada, Casaldáliga também, dentro do campo feminino, exalta a Terra como mãe, ventre, morada e como espaço de conflito, sendo sua profanação pela cerca do latifúndio; as Águas com matriz de vida, memória, profundidade e continuidade. Ao eleger esses elementos para compor sua poética Casaldáliga consegue dessacralizar a poesia, desloca o sujeito lírico para um espaço e tempo que levam imagens de suas vivências a redimensionarem para além de suas emoções, o leitor é sensibilizado a novas reflexões. O poeta consegue construir uma trajetória poética que exprimem diversos sentidos, por meio de imagens permeadas de significações, revela-se um homem comprometido com a sociedade, com seu povo, como também transforma o espaço (território) em experiência simbólica. O estudo fundamentar-se em alguns autores críticos- teóricos articulando os estudos de Candido (2000), Paz (1998), Bosi (2002) e Bachelard (2000), a tese compreende a literatura como sistema histórico, prática engajada e espaço de construção simbólica.