A CADÊNCIA DAS VOZES E ESPAÇOS, EM A HISTÓRIA DO AMOR DE FERNANDO E ISAURA, DE ARIANO SUASSUNA
Ariano Suassuna, Espaço, Oralidade, Memória, Pertencimento
Este estudo tem como gênese a intenção de falar sobre os espaços e as vozes do sertão, e, para tanto, elegemos a obra A História do Amor de Fernando e Isaura, escrita em 1956 pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, inspirado na obra de Joseph Bédier: O romance de Tristão e Isolda (2012), fazendo sua estreia no gênero romance. Como objetivo, pretendemos analisar neste estudo o espaço, seja físico, simbólico, poético, observando esse elemento narrativo não somente como elemento constitutivo da trama, mas verificando como ele perpassa o espaço das palavras, como meio de resistência cultural, aguçando, sobretudo, o senso de pertencimento. Para tanto, a metodologia será de abordagem qualitativa, de cunho analítico e bibliográfico, e será respaldada em pressupostos teóricos de Albuquerque Júnior (2011) Bachelard (1993), Brandão(2007 e 2024), Zumthor(1993 e 1997), Foucault (1984 e 2013), entre outros. A rede de argumentos desenvolvida por esta dissertação procura demonstrar que, ao adentrar o mundo da recriação com ressonâncias medievais, o autor não desenvolve a narrativa como uma imitação, mas apresenta, em toda a sua estrutura literária, palavras fluidas, metáforas, marcadores discursivos, numa escolha acertada de aproximar a escrita à fala e estreitando o caminho do narrador ao leitor, proporcionando um diálogo entre a tradição e o contexto moderno, onde torna marcante a técnica, tão presente em sua obra e que resiste simbolicamente ao apagamento das culturas tradicionais. Por vivermos em um cenário marcado pela fragmentação textual, pela aceleração das experiências e pela efemeridade dos vínculos simbólicos, sob essa perspectiva, urge falarmos sobre o modo como a obra de Suassuna atua como agente de resistência estética, convocando o leitor a outro ritmo, a uma escuta mais atenta e a um mergulho profundo na palavra literária, para que as histórias não se esvaiam no tempo, mas sejam ressignificadas.