DO VÉU NEGRO QUE RECOBRE A INTIMIDADE: A CONFIGURAÇÃO
DO HOMEM LATINO EM VARGAS LLOSA
Mario Vargas Llosa. Personagem. Narrativa. Masculinidade. América Latina.
Esta tese se constitui de uma continuação da pesquisa de mestrado e propõe
uma investigação sobre a configuração do fenômeno literário do erotismo na construção
da personagem masculina, don Rigoberto nas obras hispano-americanas, em particular
as obras: Elogio da madrasta com publicação datada de 1988, e Los cuadernos de Don
Rigoberto publicado em 1997, e sua importância na literatura contemporânea, e, de
igual modo, analisa a personagem no que se constitui como forma de representação do
sujeito e sua masculinidade em uma sociedade patriarcal e como isso está imbricado nas
diegeses das narrativas da literatura latino-americana, nesses textos literários do escritor
peruano, naturalizado espanhol e Nobel de literatura em 2010, Jorge Mario Pedro
Vargas Llosa. Essas obras apresentam tramas com cenários exclusivamente latino-
americanos e carecem de uma abordagem analítica das configurações da personagem e
do fenômeno supracitado em suas variadas formas de apresentação e do aparecimento
do fenômeno erótico como basilar dessa construção de don Rigoberto, uma vez que as
narrativas, de certa forma lançam mão da sexualidade para erigir para tais sujeitos que
compõem a diegese romanesca llosiana. Para subsidiar reflexões sobre a respeito do
masculino na sociedade mobilizaremos Saffioti (1987). Para compreender o sujeito
masculino e suas masculinidades lançaremos um olhar sobre autores que imergem em
temáticas voltadas à participação e à manutenção das convencionalidades de uma
sociedade abordaremos teóricos como Bourdieu (2002), Gilmore (1994), Beauvoir
(2016) e Hookes (2021). Na análise da constituição de uma masculinidade que se arraiga
a uma feminilidade, o filósofo Dussel (1990). Ao tratarmos do erótico presente nas
obras, mobilizaremos teóricos como Paz (1996) e Bataille (2017). Da sexualidade e do
prazer constitutivo da narrativa utilizaremos Barthes (2001 e 2015), Foucault (1985,
1988, 1999) e Baudrillard (1991). Na teoria que analisa o romance buscaremos Bakhtin
(2014), Goldmann (1976), Tacca (1983) e Nunes (1976) e outros.