TOADAS DO TRÁGICO NO SERTÃO: SOM E PAISAGEM EM RICARDO GUILHERME DICKE
Dicke; Narrativa; Madona dos Páramos; Toada do Esquecido; Sons; Trágico.
Apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, da Universidade do Estado de Mato Grosso, campus de Tangará da Serra-MT, esta pesquisa pretende realizar uma leitura crítica sobre a sonoridade na constituição das narrativas de Ricardo Guilherme Dicke, tendo-a como um elo entre sertão e homem. Em meio a um robusto conjunto de obras, duas são tomadas como objetos de estudo: o romance Madona dos Páramos (1981) e o conto “Toada do esquecido” (2006). O foco central é traçar o percurso das toadas no sertão, à luz da perspectiva filosófica do trágico nietzschiano, e como estas são utilizadas na construção do espaço literário. A investigação das obras selecionadas centra-se em caminhos e (des)-caminhos entre silêncios e sons produzidos pelo homem ou capturados do sertão, com seus ventos, cantos e ruídos. Almeja-se também ampliar a fortuna crítica do escritor cuja obra é considerada densa e complexa; quanto aos objetivos específicos, pretende-se: averiguar os recursos utilizados por Dicke para criar um mundo sonoro em torno de seus personagens; analisar o ser, o sertão e a música a partir de suas tragicidades; cotejar as duas narrativas que se apresentam, entre algumas semelhanças na constituição do enredo, como um prenúncio do destino. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, visto que a investigação pretende estudar os recursos utilizados pelo escritor para constituir uma camada sonora que envolve os personagens numa travessia paradoxal de fuga e busca no mundo/sertão. Em seu percurso, a pesquisa relaciona a obra de Dicke ao desenvolvimento de uma tragédia nietzschiana, considerando elementos dramáticos: vingança, traição, ódio, paixões, cerimônias, mistérios e mortes. Temas recorrentes que se transformam em canções que transfiguram as dores do corpo e da alma. Para tratar das questões ligadas aos estudos literários, buscou-se aporte em Nietzsche (1992), Octávio Paz (1976), Bosi (1977) Gaston Bachelard (2000), (2010), Wisnik (1989), Martin Heiddeger (2005), (2011), Candido (2006), entre outros que julgarmos necessários para compor o corpus desta pesquisa.