A vida e a morte das árvores gigantes tropicais
Atributos funcionais, danos na copa, densidade da madeira, efeitos regionais, floresta amazônica, podridão interna, resistografia
1. Danos estruturais em árvores vivas são responsáveis por grande parte da perda de carbono e da mortalidade de árvores, mas não são considerados nos modelos alométricos usados para estimar a biomassa. O impacto desses danos sobre a dinâmica do carbono florestal é maior quando eles atingem as árvores gigantes. Ainda assim, sabemos pouco sobre quão frequentes são esses danos entre as árvores gigantes tropicais.
2. Neste estudo, amostramos 383 árvores gigantes (DAP ≥ 40 cm no sul da Amazônia e ≥ 50 cm na Amazônia Central, tamanhos acima dos quais as árvores concentram metade da biomassa acima do solo em cada sítio). Em todas as árvores, avaliamos a condição da copa a partir do solo e a condição interna do tronco. Com esses dados, investigamos a prevalência e a severidade do dano interno e a condição da copa, e testamos os efeitos do tamanho da árvore, da densidade da madeira, da atividade de cupins, da topografia e das bordas florestais sobre esses padrões de dano.
3. Os danos estruturais foram generalizados em nossa amostragem, presentes em 77% das árvores avaliadas. No total, 42% das árvores apresentaram decomposição interna e 64% haviam perdido parte da copa. A perda de copa foi maior em árvores com dano interno e aumentou com a extensão desse dano, mas a associação foi fraca (pseudo-R² ≤ 0,06), e as duas formas de dano coocorreram apenas ligeiramente mais do que o esperado ao acaso (p = 0,049).
4. As árvores do sul da Amazônia, sítio mais seco, perderam mais de suas copas e, entre as árvores danificadas, apresentaram danos internos mais extensos do que as árvores da Amazônia Central, sítio mais úmido. A densidade da madeira teve efeitos opostos nos dois sítios: no sítio mais úmido, a probabilidade de dano interno aumentou em árvores com madeira mais densa e, no sítio mais seco, diminuiu. A proximidade da borda aumentou a probabilidade de dano interno no sul da Amazônia.
5. Os danos estruturais são a regra, e não a exceção, entre as árvores gigantes. Por isso, estimativas de biomassa que tratam essas árvores como intactas provavelmente superestimam os estoques de carbono. Porém, tamanho da árvore, densidade da madeira, cupins, topografia e bordas florestais explicaram menos de 10% da variação nos danos. Já a probabilidade de dano interno diferiu entre famílias e espécies, o que sugere que atributos específicos de cada linhagem, não medidos aqui, são necessários para entender por que as árvores são danificadas.