NAVEGANDO SABERES: O TRANSPORTE FLUVIAL COMO CORREDOR BIOCULTURAL NO PANTANAL MATOGROSSENSE
Pantanal. Transporte fluvial. Percepção ambiental. Estudantes. Biocultural
O deslocamento dos estudantes de casa até a escola ocorre de diferentes formas no território brasileiro, variando conforme as condições geográficas, socioeconômicas e culturais. Na comunidade ribeirinha de Estirão Comprido, localizada no município de Barão de Melgaço, no Estado de Mato Grosso, esse trajeto é realizado exclusivamente por meio do transporte fluvial. Durante esse percurso cotidiano, os estudantes vivenciam e observam diretamente a biodiversidade do Pantanal mato-grossense, estabelecendo relações contínuas com o ambiente natural e sociocultural que os cerca. Diante desse contexto, esta pesquisa teve como objetivo investigar a percepção ambiental dos estudantes da Escola Municipal de Estirão Comprido a partir de suas vivências cotidianas no transporte fluvial, compreendendo o rio como um corredor biocultural que conecta comunidades e promove o intercâmbio de conhecimentos. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, e do uso de imagens do trajeto fluvial obtidas por meio da plataforma Geoter, utilizadas como recurso disparador para a produção de ilustrações pelos alunos. A coleta de dados considerou a atividade de produção das ilustrações, as anotações realizadas durante o processo e a participação dos estudantes nas discussões coletivas. As ilustrações foram analisadas e categorizadas com base na tipologia das concepções de meio ambiente proposta por Sauvé (2005), que compreende o ambiente como natureza, recurso, problema, sistema, lugar em que se vive, biosfera e projeto comunitário. A análise dos dados foi realizada de forma interpretativa, articulando as produções visuais, os registros escritos e as falas dos participantes. Os resultados foram apresentados de maneira descritiva e analítica, acompanhados de representações gráficas, o que possibilitou identificar padrões recorrentes nas percepções ambientais dos estudantes. Os resultados indicam que o rio e o transporte fluvial são compreendidos pelas crianças não apenas como meios de deslocamento, mas como espaços de convivência, observação da natureza e construção de vínculos com o território. Destacaram-se concepções de meio ambiente associadas ao lugar em que se vive, à natureza e ao sistema, evidenciando uma relação integrada entre ambiente, cultura e cotidiano. Conclui-se que o transporte fluvial exerce influência significativa na percepção ambiental das crianças, configurando-se como um corredor biocultural que articula memórias e práticas socioculturais. Ao reconhecer o rio como espaço educativo, a pesquisa reforça a importância de políticas públicas e práticas pedagógicas sensíveis às especificidades territoriais do Pantanal.