EFEITO SINÉRGICO E MECANISMO DE AÇÃO DO MEL E DA PRÓPOLIS DE Apis mellifera de MATO GROSSO CONTRA MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS
: Efeito sinérgico, mecanismo de ação, biofilme bacteriano, compostos bioativos, mel, própolis, fungos e bactérias
A tese intitulada “Efeito sinérgico e mecanismo de ação do mel e da própolis de Apis mellifera de Mato Grosso contra microrganismos patogênicos” Investigar o efeito sinérgico e os mecanismos de ação do mel e da própolis de Apis Mellifera de Mato Grosso contra microrganismos patogênicos, por meio da caracterização de seus compostos bioativos, propriedades antimicrobianas e interações com antibióticos, visando contribuir para o desenvolvimento de estratégias inovadoras no combate a microrganismos patogênicos. Para alcançar os objetivos propostos, a tese foi organizada em três artigos científicos. O Artigo I avaliou os mecanismos de ação do mel, com foco na permeabilidade da membrana bacteriana. Foram analisadas amostras de mel da região Centro-Oeste do Brasil em combinação com antibióticos como rifampicina e claritromicina. Os resultados demonstraram que quatro amostras de mel apresentaram efeito combinado com antibióticos de referência contra Staphylococcus epidermidis, Helicobacter pylori e Enterococcus faecalis. Esse efeito foi associado à presença de compostos bioativos e à origem botânica do mel. O Artigo II teve como objetivo avaliar o efeito sinérgico do mel e da própolis de Apis mellifera de Mato Grosso contra microrganismos patogênicos, relacionados à presença de compostos bioativos e à origem botânica do mel e própolis. Foram avaliadas dez amostras de própolis e seis de mel provenientes dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Os resultados evidenciaram efeito sinérgico significativo em diversas combinações. Destacam-se as própolis 3 e 7 em associação com rifampicina contra Enterococcus faecalis, e as própolis 1 e 7 com claritromicina contra Staphylococcus epidermidis. Também foi observado efeito sinérgico da própolis 4 com eritromicina contra Staphylococcus aureus. Em relação aos fungos, algumas amostras de própolis apresentaram efeito sinérgico ou aditivo quando combinadas com anfotericina B contra Candida albicans. A análise fitoquímica revelou variação no número de compostos entre as amostras, sendo a própolis 7 a mais complexa. Apesar de nem todas as amostras apresentarem sinergismo, os resultados confirmam que a combinação de produtos apícolas com fármacos pode aumentar a eficácia terapêutica, embora os mecanismos envolvidos ainda necessitem de investigação aprofundada. O Artigo III teve como objetivo avaliar a atividade antibiofilme da própolis de Apis mellifera da região Centro-Oeste do Brasil contra microrganismos patogênicos. Para analisar a atividade antibiofilme, avaliamos seis amostras de própolis, dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Os resultados demonstraram atividade variável conforme a amostra e o estágio do biofilme, com maior eficácia nas fases iniciais, e redução significativa da biomassa em biofilmes em formação e recém-formados, enquanto biofilmes consolidados apresentaram menor suscetibilidade. Esses achados indicam que a ação antibiofilme da própolis, dependente tanto da maturação do biofilme quanto da composição química do extrato, sugerindo maior potencial como agente preventivo. De modo geral, a tese demonstra que mel e própolis de Mato Grosso possuem relevante atividade antimicrobiana e potencial sinérgico com antibióticos e antifúngicos. A variabilidade química associada à origem botânica influencia diretamente esses efeitos. Os resultados reforçam o potencial desses produtos naturais como alternativas no combate a infecções e destacam a necessidade de padronização e estudos adicionais para elucidar completamente seus mecanismos de ação.