Banca de QUALIFICAÇÃO: JÉSSICA MARCIELLA ALMEIDA RODRIGUES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JÉSSICA MARCIELLA ALMEIDA RODRIGUES
DATA : 27/12/2021
HORA: 14:00
LOCAL: Universidade do Estado de Mato Grosso, campus de Alta Floresta
TÍTULO:

Conflitos entre onças e bovinocultores em Alta Floresta


PALAVRAS-CHAVES:

Jaguar; Predação, Pecuária, Conflitos, Conservação.


PÁGINAS: 46
RESUMO:

O avanço do agronegócio sobre a vegetação nativa tem promovido um isolamento cada vez maior das populações de animais silvestres em ilhas de vegetação com oferta limitada de alimento. Estes animais acabam invadindo plantações ou atacando animais domésticos para satisfazerem suas necessidades metabólicas, gerando prejuízo e conflito com os produtores rurais. Com isso, este trabalho objetivou estimar o número de bovinos abatidos pelas onças (Panthera onca e Puma concolor) durante um ano em um grande município produtor de gado no sul da Amazônia brasileira (Alta Floresta –MT). As propriedades rurais foram visitadas durante o mês de junho de 2021. Aos proprietários ou responsáveis pelas propriedades foi perguntado basicamente quantas cabeças de gado havia na propriedade e quantas cabeças de gado perdeu para as onças em 2020. Foram analisados os dados de um total de 409 propriedades de bovinocultores. Deste total, houve relatos de predação por onças em 81 das propriedades (19,8%) e em 328 das propriedades (80,2%) não ocorreu predação. O número total de bovinos das propriedades entrevistadas foi de 261.888 cabeças, equivalendo a 34,21% de todo o rebanho do município. Deste total, obteve-se registros de 332 bovinos abatidos pelas onças, representando uma taxa de letalidade de 0,12% sobre o rebanho. Quando esses dados são extrapolados para o município inteiro, considerando o tamanho do rebanho, obtêm-se uma média de 970 animais abatidos anualmente. Como as onças predam basicamente animais jovens, foi tomado por base o valor de um bovino de 8 meses e aproximadamente 210 kg para a monetarização das perdas no município (valor local tomado em 24/setembro/2021; 1 US$ = R$ 5,30). Cada animal perdido representava US$ 528,3 e, assim, as perdas anuais no município foram estimadas em US$ 512.451,00. A despeito da baixa letalidade de um bovino predado a cada mil cabeças, os pecuaristas se ressentem e justificam sua antipatia pelas onças pelos danos monetários provocados por elas e tem sua existência principalmente falta de intervenção de profissionais do governo no meio rural para orientar os pecuaristas quanto aos métodos anti-predação disponíveis para aplicação, visto que há uma vasta opção de estratégias para evitar essas perdas, que são poucas utilizadas pelos criadores, por desconhece-las, visto que a maior taxa de conectividade foi a mil metros (m) de distância, que representou cerca de 13,87% (17848) das conexões, mostrando baixa mobilidade da onça e a aplicação de alguns deste métodos mitigariam parte do problema. A inexistência de uma política de compensação ambiental, onde os pecuaristas fossem ressarcidos pelos animais perdidos e também o desinteresse político na criação e incentivo de alternativas econômicas de exploração destes animais, como o turismo de observação, resulta em um constante conflito entre os pecuaristas e estes predadores. Enquanto soluções não forem apresentadas os conflitos persistirão, os pecuaristas continuarão a ter prejuízos econômicos e as onças a sofrerem ameaças sendo perseguidas e abatidas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 131948001 - MENDELSON GUERREIRO DE LIMA
Interno - 265126001 - CARLOS ANTONIO DA SILVA JUNIOR
Interno - 70141009 - OSCAR MITSUO YAMASHITA
Notícia cadastrada em: 14/01/2022 14:37
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