O DISCURSO DO PROTAGONISMO JUVENIL NA BNCC: DESLOCAMENTOS E MOVIMENTO DE SENTIDOS
Discurso; Protagonismo juvenil; Deslocamento; Políticas educacionais.
Esta pesquisa se inscreve na linha de pesquisa Estudos de Processos Discursivos do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e se filia à perspectiva teórica da Análise de Discurso materialista, desenvolvida na década de 1960, pelo filósofo e linguista Michel Pêcheux, na França, e difundida, no Brasil, a partir da década de 1970, por Eni Puccinelli Orlandi. O objetivo do trabalho é analisar como o discurso do protagonismo juvenil que comparece na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se correlaciona com os discursos de viés empresarial, direcionado aos jovens pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Tais discursos atribuem ao jovem o papel de ser o principal agente de uma ação, um ator social e nos permite refletir sobre o modo como nessa proposta textualizada em nossa Política Educacional ecoa o neoliberalismo, articulando a educação ao mundo do trabalho por meio da repetibilidade, produzindo deslocamentos e movimentos de sentidos. Observamos marcas linguísticas e vestígios que remetem ao discurso empresarial por meio do corpus de análise, constituído por recortes da BNCC e algumas imagens que possibilitam a compreensão de alguns funcionamentos discursivos que se relacionam com o objeto da pesquisa. A dissertação está dividida em três capítulos, sendo que no primeiro capítulo analisamos a discursividade do protagonismo juvenil e o modo como este vem sendo significado na BNCC, mais especificamente na etapa final do Ensino Médio, bem como a posição ocupada pelos sujeitos e como eles se inscrevem diante do objeto simbólico. Nesse enfoque, damos visibilidade aos sentidos de protagonismo juvenil, observando a linguagem com sua exterioridade, envolvendo a individuação do sujeito em sua forma histórica capitalista. No segundo capítulo, mobilizamos o paradoxo entre educação e mercado de trabalho como uma proposta de reformas educacionais que se sustenta no capitalismo, através de uma política voltada ao capital humano, advinda de organizações internacionais. Pois, a difusão da educação instrumental é um fator elementar para os objetivos da economia de mercado, ao passo que, por meio da interpelação ideológica do indivíduo em sujeito, que ocorre a discursividade, tal funcionamento promove o apagamento da inscrição da língua na história, fazendo-a significar, produzindo o efeito de evidência do sentido. No terceiro capítulo, refletimos sobre a educação brasileira pensada por aqueles que valorizam mais o capital do que o conhecimento, esse fato ganha dimensões quando o prisma de interesses ideológicos perpassa nossa Legislação Educacional e eclode na sociedade, evidenciando divisões. É nesse cenário que o ritual ideológico se desloca para a falha e o sujeito por meio da língua pode se revoltar, insurgindo a resistência, que irrompe diante da falha do Estado.