O DIZER DA/NA CARTA SUICIDA: O FUNCIONAMENTO DISCURSIVO DE SI E DO (O)OUTRO
Palavras-chave: Análise de Discurso; Psicanálise; Carta/postagens de despedida; Suicídio.
RESUMO:
O presente estudo, vinculado à área Estudos de processos linguísticos e à linha de pesquisa Estudos de processos discursivos, do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Mato Grosso (PPGL/UNEMAT), pretendeu compreender o funcionamento histórico-ideológico materializado na carta/post de despedida do sujeito suicida, Yago Oliveira. Para tanto, inscreveu-se nos princípios teórico-metodológicos da Análise de Discurso, de Pêcheux (1969) e de Orlandi (1983), para tentar compreender o processo de assujeitamento/sobredeterminação do sujeito aos processos histórico-ideológicos marcados no dizer da carta; e na Psicanálise freudo-lacaniana para dar a compreender o modo de inscrição e de subjetivação do sujeito suicida à ordem do real e do imaginário, materializados no simbólico da carta, enquanto manifestação da letra do/no inconsciente, marcada pelos ditames do grande Outro. Ancoramo-nos, então, no tripé teórico-epistemológico da Análise de Discurso, a saber a Linguística, o Materialismo Histórico e a Psicanálise, para tentar compreender os processos que marcam o sujeito, a língua(gem) e a história no gesto de autoria da carta suicida, que atualmente circula, via de regra, no meio digital, o que produz um processo de exposição do sujeito com suas glórias e mazelas. Nessa visada, demos a compreender o processo de corporificação do sujeito-suicida, do corpo da carta/post e do corpo familiar/social como lugar de constituição e de assujeitamento, ditados pelos processos subjetivos de identificação e pelas determinações, pelo Estado capitalista, do sujeito e dos sentidos, pois o corpo funciona como um mapa que traça os (des)caminhos para o sujeito, materializando o pertencimento e a exclusão, a aceitação e o rechaço, a glória triunfal e a morte do significante. Nesse funcionamento materializa-se, nas postagens e na carta de despedida de Yago, aquilo que (não) pode ser dito, materializando o tudo e o nada além do que o sujeito pode significar, assim, nosso gesto buscou compreender os processos de identificação/articulação do sujeito suicida, balizado pelo significante enquanto registro do simbólico, do real e do imaginário, visando a compreender o funcionamento do sujeito suicida por uma ordem que não se resume apenas ao suporte da letra da carta, das mutilações, dos estados de alterações de humor, visto que essa corporeidade/textualidade vem de alhures, vem da letra do/no inconsciente e, portanto, não se coloca como evidência, distanciando-se da noção de objeto pleno e da de sujeito do conhecimento.