UM ESTUDO SOCIOLÍNGUITISCO DE CONTATO DE LÍNGUA(S) DE SINAIS BRASIL X BOLIVIA
Sociolinguística; Contato linguístico; Violência de gênero; Língua Brasileira de Sinais; Lengua de Señas Boliviana.
Esta pesquisa, vinculada à Área de Concentração Estudos de Processos Linguísticos e à Linha de Pesquisa Estudos de Processos de Variação e Mudança Linguística do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Linguística da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), investiga o contato linguístico entre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a Lengua de Señas Boliviana (LSB) no contexto sociolinguístico da fronteira entre Brasil e Bolívia. O estudo fundamenta-se teoricamente na Sociolinguística e nos estudos de contato linguístico, especialmente nas contribuições de Weinreich (1953), Thomason (2001) e Labov (2008), bem como nos estudos linguísticos sobre línguas de sinais desenvolvidos por Quadros e Karnopp (2004). Essas perspectivas compreendem as línguas como sistemas socialmente situados, que se transformam e se reorganizam em contextos de interação multilíngue e de contato entre comunidades linguísticas. O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar o fenômeno do contato linguístico entre Libras e LSB, observando a circulação de sinais, possíveis aproximações estruturais e estratégias de construção de sentidos relacionadas ao campo semântico da violência de gênero. A investigação considera também os contextos jurídicos e sociais associados às legislações sobre feminicídio no Brasil e na Bolívia, buscando compreender de que maneira esses conceitos são representados nas práticas linguísticas das comunidades surdas. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, baseada na análise de registros audiovisuais disponíveis em dicionários online de línguas de sinais e em plataformas digitais, especialmente vídeos publicados no YouTube. A análise concentra-se nos parâmetros linguísticos característicos das línguas de sinais, como configuração de mão, movimento, ponto de articulação, orientação e expressões faciais e corporais, com o objetivo de examinar como conceitos relacionados à violência e ao feminicídio são representados visualmente em Libras e em LSB. Os resultados indicam que a região de fronteira constitui um espaço sociolinguístico de interação no qual Libras e LSB entram em contato e produzem dinâmicas específicas de circulação de sinais e construção de significados. A análise evidencia que, embora ambas as línguas compartilhem campos semânticos semelhantes, cada uma mobiliza recursos linguísticos próprios para representar conceitos como violência e feminicídio, revelando a autonomia estrutural das línguas de sinais e a complexidade das práticas comunicativas das comunidades surdas em contextos transfronteiriços. A pesquisa contribui para os estudos sociolinguísticos sobre contato linguístico em línguas de sinais, ampliando as discussões sobre línguas de sinais em contextos de fronteira e sobre a relação entre linguagem, direitos linguísticos e violência de gênero. Além disso, destaca a importância da acessibilidade linguística e da produção de materiais informativos em línguas de sinais voltados às comunidades surdas, especialmente no que se refere à garantia de direitos e ao enfrentamento da violência contra mulheres surdas.