LEARNING ENGLISH WITH ROBOTS: THE FUTURE IS NOW –
UMA ANÁLISE DIALÓGICA DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS MEDIADAS POR INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS NO ENSINO DE INGLÊS NA UNIVERSIDADE
Análise Dialógica do Discurso; Inteligências Artificiais; Pós-humanismo; Ensino de Língua Inglesa.
A tese, vinculada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Linguística da Universidade do Estado de Mato Grosso (PPGL-Unemat), inserida na linha de pesquisa Estudos de Processos de Práticas Sociais da Linguagem, tem como objetivo analisar os efeitos pedagógicos e de sentido de tecnologias contemporâneas, como sistemas de inteligência artificial (IA) e algoritmos, em práticas de ensino-aprendizagem de língua inglesa no Ensino Superior. A pesquisa se justifica pela intensificação do uso de sistemas de IA generativa em contextos educacionais, fenômeno que tem reconfigurado práticas de linguagem, autoria, ensino e aprendizagem, exigindo problematizações críticas no campo da Linguística Aplicada. Teoricamente, o estudo ancora-se nos pressupostos da Análise Dialógica do Discurso, a partir de Bakhtin e do Círculo, articulados a perspectivas pós-humanistas e aos estudos dos Multiletramentos contemporâneos, compreendendo a linguagem como prática social, ideológica e situada, constituídas por relações e agenciamentos humanos e não humanos. Argumenta-se que os sistemas de IA operam como participantes ativos nos processos enunciativos, produzindo deslocamentos discursivos, pedagógicos e epistêmicos no ensino de língua inglesa. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa-ação de natureza qualitativa e dialógica, desenvolvida a partir da aplicação da oficina Learning english with robots: the future is now, realizada com graduandos de um curso de Letras de uma universidade pública mato-grossense. O corpus é constituído por algumas produções dos participantes, um questionário investigativo e registros em um diário de campo do professor-pesquisador. A análise dos dados foi orientada por categorias dialógicas, considerando os enunciados como unidades concretas de interação. Os resultados evidenciam: I) a emergência de relações dialógicas entre alunos e sistemas de IA, marcadas por agência compartilhada; II) deslocamentos na concepção de autoria, feedback e avaliação no ensino de língua inglesa; III) a ampliação da escuta da heterogeneidade dos “Englishes”, em consonância com o inglês como língua franca; IV) o desenvolvimento de competências éticas e críticas no uso de sistemas de IA; V) a reconfiguração do papel docente frente às tecnologias contemporâneas; VI) a constituição de práticas pedagógicas responsivas, colaborativas e multissemióticas; e VII) a consolidação de uma ecologia de aprendizagem pós-humana, na qual humanos e tecnologias co-constroem processos complexos de formação. Esses achados sustentam a tese de que o uso pedagógico crítico de sistemas de IA, fundamentado no dialogismo, no pós-humanismo e nos multiletramentos, não representa apenas uma inovação tecnológica, mas a instauração de um fenômeno sociotécnico complexo, capaz de potencializar o ensino-aprendizagem de língua inglesa e contribuir para a formação contemporânea de futuros professores no Ensino Superior.