DESENVOLVIMENTO IN VITRO DE Catasetum sp. EM MEIO DE CULTURA ALTERNATIVO COM ADIÇÃO DE EXTRATO PIROLENHOSO DE CAFÉ (Coffea canefora) E BABAÇU (Attalea speciosa)
Orchidaceae. Micropropagação. Bioestimulante vegetal. Biotecnologia. Conservação de recursos genéticos.
A família Orchidaceae apresenta elevada diversidade, importância ecológica e ornamental, sendo o cultivo in vitro uma ferramenta relevante para a propagação, conservação e produção de mudas. Nesse contexto, a utilização de insumos alternativos em meios de cultura pode contribuir para o desenvolvimento de protocolos mais acessíveis e adequados às exigências das espécies. O extrato pirolenhoso apresenta potencial como bioestimulante vegetal, porém suas respostas podem variar em função da matéria-prima, da concentração utilizada e da interação com os demais componentes do meio. Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o desenvolvimento in vitro de Catasetum sp. cultivado em meio de cultura alternativo suplementado com diferentes concentrações de extrato pirolenhoso de café (Coffea canephora) e de babaçu (Attalea speciosa), na presença e ausência de carvão ativado. Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Citogenética e Cultura de Tecidos Vegetais da Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus de Alta Floresta – MT. Em ambos os experimentos, utilizou-se delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × 6, constituído por duas condições do meio de cultura, com e sem carvão ativado, e seis concentrações dos extratos pirolenhosos (0; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0 e 2,5 mL L⁻¹), totalizando 12 tratamentos e 10 repetições. Foram avaliadas características relacionadas ao desenvolvimento vegetativo das plântulas, incluindo número de folhas, número de raízes, comprimento da maior raiz, formação e comprimento de bulbo, massa fresca e comprimento total. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância. Para o extrato pirolenhoso de café, o comprimento total das plântulas foi superior na concentração de 2,5 mL L⁻¹, enquanto o número de folhas apresentou maiores valores na presença de carvão ativado. Para as características radiculares e relacionadas às estruturas de reserva, foram observadas respostas dependentes da interação entre concentração e carvão ativado, com melhores resultados, de modo geral, na ausência de carvão nas maiores concentrações. Para o extrato pirolenhoso de babaçu, houve interação significativa entre os fatores para todas as características avaliadas. As concentrações intermediárias apresentaram respostas mais favoráveis, destacando-se 1,5 mL L⁻¹ com carvão ativado para número de folhas e comprimento total, e 2,0 mL L⁻¹ sem carvão para número de raízes, formação e comprimento de bulbo e massa fresca. Os resultados demonstram que os efeitos dos extratos não ocorreram de forma linear e foram condicionados pela presença ou ausência de carvão ativado. Conclui-se que os extratos pirolenhosos de café e babaçu apresentam potencial como componentes alternativos para o cultivo in vitro de Catasetum sp., contribuindo para o desenvolvimento de protocolos de propagação da espécie. Entretanto, a definição das concentrações e da composição do meio deve considerar a interação entre os componentes, sendo necessários estudos adicionais, especialmente relacionados à aclimatização e ao estabelecimento das plântulas em condições ex vitro.