Caracterização da resistência à ferrugem da teca e preservação de isolados de genótipos de Tectona grandis
Teca, melhoramento de plantas, Olivea neotectonae.
A Tectona grandis (teca) é uma espécie florestal de elevada importância econômica, social e ambiental. O Brasil destaca-se como o maior produtor da América Latina, com cultivos concentrados principalmente nos estados do Mato Grosso e Pará. Internacionalmente, a madeira de teca é reconhecida como uma das mais valiosas do mercado tropical, devido a atributos como durabilidade, estabilidade dimensional, resistência natural a pragas e beleza estética, que lhe conferem aplicações nobres e de alto valor. A expansão global da silvicultura da teca, impulsionada por seu rápido crescimento e alta rentabilidade, enfrenta, contudo, um sério desafio fitossanitário: a ferrugem foliar, causada pelo fungo Olivea neotectonae. Esta doença provoca desfolhamento prematuro e pode reduzir a produtividade das plantações em até 30%. No Brasil, o melhoramento genético da teca ainda é incipiente, com uma lacuna significativa de pesquisas voltadas à resistência a doenças, o que limita a exploração da variabilidade genética disponível.Diante da ausência de cultivares comerciais resistentes e da necessidade de estratégias de manejo sustentáveis, o melhoramento genético surge como uma abordagem fundamental. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivos: (a) avaliar a severidade da ferrugem em nove clones comerciais de teca; (b) identificar clones com resistência ao patógeno; e (c) desenvolver e testar métodos eficientes para a preservação de esporos de O. neotectonae.A pesquisa foi conduzida em casa de vegetação, em delineamento inteiramente casualizado (DIC), em esquema fatorial 9 x 2, compreendendo nove clones (fornecidos pela empresa TRC) e dois tipos de inoculação (suspensão de esporos do patógeno vs. água autoclavada como controle), com três repetições, totalizando 54 plantas. Paralelamente, foram avaliados seis métodos de preservação de urediniósporos coletados de folhas sintomáticas: 1) desidratação em sílica gel; 2) liofilização; 3) armazenamento a -20°C; 4) armazenamento a -80°C; 5) choque térmico em nitrogênio líquido (-196°C) seguido de armazenamento a -80°C; e 6) manutenção à temperatura ambiente (20°C). A viabilidade dos esporos foi monitorada mensalmente, por sete meses, por meio de testes de germinação e análise microscópica. Após 60 dias, o inóculo de cada tratamento foi reativado e utilizado para inoculação, por pulverização, em mudas clonais suscetíveis, que permaneceram em câmara úmida por 24 horas. A severidade da doença foi quantificada pela contagem de pústulas, e os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e ao teste de Tukey (5% de significância). Os resultados deste estudo permitirão a formação de uma coleção de isolados regionais viáveis e a seleção de materiais genéticos promissores, contribuindo para a autonomia técnica em patologia florestal e para o desenvolvimento de cultivares melhoradas. Espera-se que essas ações fortaleçam a sustentabilidade e a produtividade da tecnicultura na região.