Banca de DEFESA: NORBERTO GOMES RIBEIRO JUNIOR

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : NORBERTO GOMES RIBEIRO JUNIOR
DATA : 08/09/2020
HORA: 08:00
LOCAL: Sala de aula do PPG-EC
TÍTULO:

Anatomia de espécies arbóreas do sul da Amazônia como predição de impactos das mudanças ambientais


PALAVRAS-CHAVES:

plasticidade fenotípica, atributos funcionais, mudanças climáticas, precipitação, água no solo.


PÁGINAS: 132
RESUMO:

Muitas mudanças climáticas previstas estão se materializando desde o início dos anos 2000. Além do aumento da temperatura média do planeta, regiões tropicais, incluindo a Floresta Amazônica, têm passado por intensos ciclos de estiagem com anos de menor precipitação e picos de temperatura mais acentuados. Concomitante a estas mudanças climáticas, o desmatamento avança pelas bordas e ao longo das grandes rodovias na Amazônia, aumentando a perda da biodiversidade e os efeitos das mudanças ambientais. A transição Amazônia-Cerrado (TAC), ao sul e sudeste da Amazônia é uma vasta área particularmente sensível aos fatores climáticos devido à alta sazonalidade de chuvas. A rápida substituição da vegetação nativa por pastagens e agricultura na região tem destruído ecossistemas com características particulares e importante colaboração para o equilíbrio ambiental por seus serviços ecossistêmicos. Ao longo desta tese evidenciamos as particularidades estruturais da vegetação arbórea da TAC e do sudeste amazônico, tanto em estudos de caso ao avaliar atributos anatômico-funcionais (AAF) de espécies com elevada ocorrência na vegetação, quanto com comparações de comunidades de localidades distintas e padrões de AAF que permitem maior ou menor grau de resistência ao estresse gerado pela sazonalidade climática. Avaliamos 16 comunidades vegetais através de amostras de folhas e caules de 932 árvores. Processamos as amostras e mensuramos caracteres morfológicos, anatômicos e fisiológicos e os relacionamos com as características ambientais de cada comunidade florestal. Constatamos que as espécies são dotadas de diferentes estratégias para resistir à sazonalidade da região. Enquanto Tachigalli vulgaris apresenta baixa plasticidade às condições climáticas e disponibilidade hídrica, tendo aparente regulação fisiológica e não estrutural ao estresse, outras espécies de maior frequência nas comunidades amostradas (Amaioua guianensis, Chaetocarpus echinocarpus, Miconia pyrifolia, Ocotea guianensis, Sacoglottis guianensis, Trattinnickia glaziovii e Xylopia amazonica) são notadamente dotadas de grande plasticidade fenotípica, tendo sintonia quanto à plasticidade dos condutos caulinares. Ao considerarmos as comunidades arbóreas, a maioria delas apresenta grande diversidade de estratégias para lidar com o estresse hídrico sazonal. O comparativo cerradão vs. floresta de galeria nos revelou que, apesar de maior proporção de investimento em estruturas xeromórficas, o cerradão não é dotado de caracteres excessivamente xéricos e a floresta de galeria é dotada de maior eficiência de condução hidráulica, com baixo investimento (pelo menos na grande maioria das espécies) em segurança hidráulica (e.g. contra embolia). Quanto ao comparativo das comunidades florestais de terra firme, comprovamos interação entre xeromorfismo e variações de disponibilidade hídrica devido à sazonalidade. Nas comunidades mais secas as folhas apresentaram características xeromorfas, como maiores espessuras de epiderme adaxial, estômatos menores e maior espessura da asa foliar. Os galhos das espécies destas comunidades também indicaram características xeromorfas para a condutividade hidráulica, área média do lúmen, densidade dos vasos xilemáticos, comprimento e espessura da parede das fibras esclerenquimáticas, consequentemente maior segurança hidráulica. As respostas particulares das espécies às variações ambientais dificultam análises de comunidades, todavia pudemos compreender melhor como diferentes táxons reagem aos estressores ambientais e como as comunidades se moldam para suportar a sazonalidade tropical que tem se tornado mais intensa. É fato que algumas espécies apresentam adaptações foliares, como incremento de estruturas supraepidérmicas, espessamento epidérmico e de parênquimas que permitem maior regulação da perda de água. Mas é quase unânime o aumento da segurança hidráulica decorrente de vasos condutores menos eficientes e mais seguros. Ainda que haja investimento em atributos xeromórficos, salientamos que estas comunidades correm risco de grandes alterações da sua estrutura e composição em decorrência da intensificação dos eventos climáticos estressores.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 82329001 - BEN HUR MARIMON JUNIOR
Externo ao Programa - 253812001 - PEDRO VASCONCELOS EISENLOHR
Externo ao Programa - 117000004 - MARCO ANTONIO CAMILLO DE CARVALHO
Externo ao Programa - 96420004 - IVONE VIEIRA DA SILVA
Externo à Instituição - RAFAEL SILVA OLIVEIRA - UNICAMP
Externo à Instituição - CLAUDIA FRANCA BARROS - UFRJ
Externo à Instituição - Thaise Emilio Lopes de Sousa - UNICAMP
Notícia cadastrada em: 18/08/2020 22:59
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