REPRESENTATIVIDADE NEGRA E CABELO AFRO:
Uma análise da obra de Cristiane Sobral e proposições para o letramento literário no Ensino Fundamental II.
Literatura Afro-brasileira; Cristiane Sobral; Interseccionalidade; Letramento Racial Crítico; Ensino Fundamental II.
Esta pesquisa de Mestrado Acadêmico em Letras, na linha de Estudos Literários, trata da literatura feminina negra com a proposição de uma análise da obra Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz (2014), de Cristiane Sobral. A pesquisa parte da hipótese de que a obra expressa, de forma lírica e insurgente, o cabelo afro como um signo central de resistência e afirmação da subjetividade negra frente ao racismo estrutural. Ao abordar a estética capilar como ferramenta de enfrentamento à estigmatização histórica e à “epidermização da inferioridade”, a obra busca desconstruir fenômenos que afetam a autoestima e o pertencimento de estudantes negros, promovendo uma narrativa de soberania e reexistência que também pode ser utilizada no espaço escolar. O objetivo principal é analisar as potencialidades pedagógicas da obra de Sobral para a promoção do Letramento Racial Crítico entre adolescentes do Ensino Fundamental II. Para tanto, o estudo fundamenta-se na interseccionalidade entre raça, gênero e estética, compreendendo a escrita feminina negra como estratégia de descolonização identitária. O estudo dedica-se à análise literária de poemas selecionados, valorizando a relevância da obra para a ressignificação do corpo negro e para a efetivação da Lei nº 10.639/03. A questão norteadora é: de que forma a obra de Cristiane Sobral promove o letramento racial crítico e oferece narrativas de reexistência que desafiam os padrões eurocêntricos no espaço escolar? De natureza qualitativa e abordagem indutiva, o estudo utiliza a revisão bibliográfica e a análise literária, culminando na elaboração de uma proposta de sequência didática baseada no método do letramento literário. A fundamentação teórica ancora-se em diálogos com autores como Akotirene (2019), Almeida (2015), Candido (2004), Cosson (2006), Crenshaw (2002), Cuti (2010), Evaristo (2007), Gomes (2017), Gonzalez (1984), hooks (2019), Kilomba (2019), Munanga (2012), Paz (1984) e Rojo (2009), dentre outros. A análise aponta que a obra de Sobral constitui um manifesto literário que contribui para a descolonização do currículo e para a construção de novas subjetividades, reafirmando a voz e a estética negra em um ambiente escolar que se pretenda emancipador.