UM DEUS SILENCIOSO:
fratricídio, modernidade e moralidade em Deus de Caim
de Ricardo Guilherme Dicke
desagregação moral; ética; modernidade; literatura brasileira; regionalismo.
A presente dissertação analisa a obra Deus de Caim, de Ricardo Guilherme Dicke, sob a perspectiva da desagregação moral e dos dilemas éticos que permeiam sua narrativa. O estudo investiga como a obra transcende o regionalismo mato-grossense para abordar temas universais, como a fragmentação da identidade, a crise dos valores tradicionais e o impacto da modernidade sobre os indivíduos. A pesquisa fundamenta-se em teorias literárias e filosóficas de Georg Lukács (2000), Zygmunt Bauman (2011), Emmanuel Levinas (2008), Silviano Santiago (2002), Wolfgang Iser (1996) e Norbert Elias (2001), entre outros, para discutir a complexidade da construção narrativa de Dicke e seu diálogo com a literatura moderna e contemporânea. A interpretação evidencia que Deus de Caim não se restringe à ambientação regional, mas apresenta uma crítica abrangente sobre a decadência moral da sociedade, discutindo sobre a violência, a traição, o desejo e a morte como elementos estruturantes da condição humana. Defendemos que o romance configura-se, assim, como uma obra de relevância universal, desafiando convenções narrativas e questionando os limites da moralidade em um mundo em constante transformação.