Ancestralidade e Memórias na Educação Antirracista: o Legado de Ana Maria da Silva (Maria Capoeira) no Município de Pontes e Lacerda-MT
Memória Comunitária. Narrativas Femininas. Ancestralidade. Pontes e Lacerda-MT. Decolonialidade.
Na presente dissertação, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Mato Grosso, na linha de pesquisa Educação e Diversidade, busca-se compreender como as memórias tecidas no interior da comunidade Ana Maria da Silva (Maria Capoeira) em Pontes e Lacerda-MT, constituem fundamentos para a preservação da ancestralidade e para a afirmação de identidades negras periféricas. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, orientada pela perspectiva narrativa e decolonial (Quijano, 2005; Magnoli, 2010), que adota a memória coletiva e o território como categorias centrais de análise. O percurso metodológico materializa-se por meio de entrevistas narrativas e rodas de conversa realizadas com as filhas e netas da matriarca, tomando a escrevivência como ato de resistência e produção de saberes. O estudo dialoga com autores como Munanga, Jovchelovitch (1998), Crenshaw (1989), Fanon (2008), Evaristo (2016), Pollak (1989) e Maciel Jr. (2013), que problematizam as interseccionalidades de gênero e raça, a memória comunitária e a tradição oral. O trabalho tem como objetivo apresentar resultados parciais, que para além das instâncias institucionais promovida pelas mulheres da comunidade resguarda um patrimônio cultural imaterial vital, a celebração tradicional e o cotidiano do território revelam-se como espaços legítimos de preservação histórica, capazes de romper silenciamentos e projetar caminhos autônomos de emancipação e protagonismo feminino negro.