Indução de Poliploidia em Bananeira Triploide BRS Terra-Anã: Otimização de Protocolos, Caracterização Citogenética e Implicações para o Melhoramento Genético
colchicina, mixoploides, hexaploides, poliploidia, citometria de fluxo, melhoramento reconstrutivo
A cultivar BRS Terra-Anã é um híbrido triploide (3n = 3x = 33), pertencente ao grupo genômico AAB, desenvolvido pelo programa de melhoramento genético da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Em função de sua esterilidade gamética, sua multiplicação ocorre exclusivamente por via agâmica, sendo a micropropagação in vitro a principal estratégia para a produção de mudas com elevada fidelidade genética e padrão fitossanitário. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo induzir a duplicação do genoma triploide da cultivar BRS Terra-Anã por meio do cultivo in vitro, avaliando diferentes concentrações de colchicina e seus efeitos sobre a sobrevivência, a regeneração, o nível de ploidia e as características morfoagronômicas das plantas regeneradas. A sobrevivência dos brotos foi influenciada tanto pela concentração de colchicina quanto pelo tempo de exposição. O tratamento controle apresentou 100% de sobrevivência, enquanto nos tratamentos com 0,1% de colchicina os valores permaneceram elevados, alcançando 98,4% em 24 horas e 93,3% em 36 horas. Em 0,2%, a sobrevivência manteve-se igualmente alta, com 98,3% (24 h) e 96,7% (36 h). Nas concentrações mais elevadas, observou-se redução progressiva da sobrevivência, com valores de 95,0% (0,3%/24 h) e 86,7% (0,3%/36 h), chegando a 85,0% (0,5%/24 h) e 78,3% (0,5%/36 h). Em relação à regeneração, as maiores médias de brotos por explante foram registradas em 0,1% por 36 horas (2,1 brotos/explante) e nos tratamentos de 0,2% e 0,3% por 24 horas (1,9 a 2,0 brotos/explante). Por outro lado, a concentração de 0,5%, especialmente por 36 horas, resultou em redução acentuada da regeneração, com média de 1,2 brotos por explante. O nível de ploidia das plantas regeneradas foi confirmado por citometria de fluxo, citogenética e caracterização estomática. As plantas hexaploides apresentaram conteúdo nuclear de DNA em torno de 6C = 9,00 pg e número cromossômico 3n = 6x = 66. A maior eficiência de poliploidização foi observada no tratamento com 0,2% de colchicina por 36 horas, no qual foram obtidos 23,7% de plantas hexaploides, mantendo elevada taxa de sobrevivência (96,7%). Nas concentrações mais altas (0,3–0,5%), a frequência de mixoploides variou entre 10,5 e 24,0%, porém associada à redução da sobrevivência e à baixa formação de hexaploides. A caracterização estomática evidenciou aumento no comprimento, na largura e na área dos estômatos com o aumento do nível de ploidia, acompanhado por redução da densidade estomática em ambas as faces foliares. A avaliação das características morfoagronômicas indicou que os citótipos hexaploides apresentaram maior altura, folhas mais longas e largas, maior espessura do pseudocaule e sistema radicular mais desenvolvido quando comparados aos triploides e mixoploides, refletindo o efeito gigas associado à poliploidização. Este trabalho representa uma contribuição significativa ao conhecimento sobre conversão triploide→hexaploide em bananeira, um processo pouco documentado na literatura, e fornece protocolos otimizados para aplicação em programas de melhoramento reconstrutivo.