Regeneração in vitro, resposta do sistema de thin cell layer e estabilidade genética de Musa spp. cv. BRS Terra-Anã
Micropropagação de bananeira; regeneração in vitro; camadas finas de tecido (TCL); citocininas; estabilidade genética; variação somaclonal.
A micropropagação de bananeiras constitui uma estratégia fundamental para a produção de mudas de alta qualidade genética e fitossanitária, porém ciclos sucessivos de regeneração in vitro podem induzir variações somaclonais. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficiência morfogênica, a estabilidade genética e a qualidade das plantas regeneradas de Musa spp. cv. BRS Terra-Anã submetidas a ciclos consecutivos de regeneração in vitro a partir de ápices caulinares e do sistema de thin cell layer (TCL), sob diferentes citocininas. Ápices caulinares foram cultivados em meio MS suplementado com benziladenina (BA) (0; 1,0; 2,0 e 3,0 mg L⁻¹) ao longo de oito ciclos consecutivos. A maior produção média de brotos por explante foi obtida com 1,0 mg L⁻¹ de BA, totalizando 666 brotos ao final do experimento, seguida por 3,0 mg L⁻¹ (582 brotos). Observou-se comportamento não linear da brotação, com incremento até o quarto ciclo e redução progressiva nos ciclos subsequentes, confirmado por modelos lineares generalizados mistos (GLMM), evidenciando interação significativa entre concentração de citocinina e número de subcultivos. A estabilidade genômica foi avaliada por citometria de fluxo e análise cromossômica, revelando predominância de plantas triploides (2n = 3x = 33), com baixa frequência de variantes somaclonais (7,0%), principalmente mixoploides, associadas ao uso de 2,0 mg L⁻¹ de BA. No sistema TCL, BA, meta-topolina (mT) e thidiazuron (TDZ) induziram organogênese adventícia dependente do regulador, da concentração e do tempo de cultivo, com destaque para o TDZ a 2,0 e 3,0 mg L⁻¹, que apresentou maior potencial regenerativo. Entretanto, mT favoreceu melhor conversão de brotos em plantas completas, com maior vigor morfoestrutural. As plantas aclimatizadas apresentaram crescimento uniforme, e diferenças estomáticas foram restritas à densidade e à largura dos estômatos entre plantas triploides e mixoploides. Os resultados demonstram que ciclos consecutivos de regeneração in vitro em Musa cv. BRS Terra-Anã mantêm elevada estabilidade genética, desde que associados a concentrações adequadas de citocininas, constituindo protocolo seguro e eficiente para multiplicação clonal e aplicações em melhoramento e biotecnologia vegetal.