O Curso de Medicina da UNEMAT incorpora a formação integral e terminal do médico, nos termos definidos pelas Diretrizes Curriculares. No âmbito mais específico da formação profissional, o médico a ser graduado pela UNEMAT deverá apresentar o seguinte perfil:
Estar estimulado e capacitado para a prática da educação permanente, especialmente para a autoaprendizagem;
Exercer a medicina utilizando procedimentos diagnósticos e terapêuticos validados cientificamente;
Dominar as técnicas de leitura crítica da literatura científica, indispensáveis frente à sobrecarga de informações e a transitoriedade de conhecimentos;
Dominar os conhecimentos científicos básicos de natureza biopsicossocial subjacente à prática médica;
Ter domínio dos conhecimentos de fisiopatologia, procedimentos diagnósticos e terapêuticos necessários à prevenção, tratamento e reabilitação das doenças de maior prevalência epidemiológica e aspectos da saúde ao longo do ciclo biológico: saúde individual da criança, do adolescente, do adulto e do idoso com as peculiaridades de cada sexo; saúde da família e da comunidade; doenças crônico-degenerativas; neoplasias malignas; causas externas de morbimortalidade; doenças mentais e psicossociais; doenças infecciosas e parasitárias; doenças nutricionais; doenças ocupacionais; ambientais e iatrogênicas;
Ter capacitação para utilizar recursos semiológicos e terapêuticos contemporâneos, hierarquizados por nível de atenção integral à saúde, no primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção;
Utilizar procedimentos semiológicos e terapêuticos conhecendo critérios de indicação e contra indicação, limitações, riscos, confiabilidade e sua validação científica;
Atuar dentro do sistema hierarquizado de saúde obedecendo aos princípios técnicos e éticos de referência e contra referência;
Saber atuar em equipe multiprofissional, assumindo quando necessário o papel de responsável técnico, relacionando-se com os demais membros em bases éticas;
Exercer a medicina com postura ética e humanística em relação ao paciente, família e à comunidade, observando os aspectos sociais, culturais, psicológicos e econômicos relevantes do contexto, baseados nos princípios da bioética;
Ter uma visão social do papel do médico e disposição para engajar-se em atividades de política e de planejamento em saúde;
Informar e educar seus pacientes, familiares e comunidade em relação à promoção da saúde, prevenção, tratamento e reabilitação das doenças, usando técnicas adequadas de comunicação;
Conhecer as principais características do mercado de trabalho onde deverá se inserir, procurando atuar dentro dos padrões locais, buscando o seu aperfeiçoamento, considerando a política de saúde vigente;
Utilizar ou administrar recursos financeiros e materiais, observando a efetividade, visando à equidade e a melhoria do sistema de saúde, pautada em conhecimentos validados cientificamente.
A UNEMAT por meio do seu Curso de Medicina pretende que os egressos apresentem um perfil baseado em conceitos e práticas interdisciplinares voltados para as necessidades de saúde dos indivíduos e das coletividades. E além das competências necessárias que caracterizam o perfil do egresso, é necessário que esse profissional tenha as habilidades definidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, e compreende atividades de ensino, pesquisa e extensão, considerados num modelo integrado que lhe permita:
Intervir com postura ética e visão humanística no processo saúde-adoecimento, entendido como um fenômeno sócio existencial;
Atuar na perspectiva do cuidado ampliado de saúde em suas múltiplas dimensões, levantar necessidades, acolher demandas, identificar problemas e aplicar planos de cuidados individuais e coletivos pautados na evidência científica e no contexto social;
Planejar, executar e avaliar intervenções que, apoiadas em teorias e técnicas pertinentes, sejam capazes de superar problemas e dificuldades que comprometam a saúde de indivíduos ou coletividades, possibilitando a promoção da saúde, da qualidade de vida e do respeito aos direitos das pessoas;
Trabalhar em equipes multiprofissionais, como oportunidade para desenvolver habilidades e competências tais como a comunicação, a escuta, a liderança, a interação, a tolerância, a administração de conflitos;
Produzir e difundir conhecimentos e práticas inovadoras em saúde;
Trabalhar na gestão da saúde, envolvendo-se com a implementação de políticas públicas voltadas para consolidação de novos modelos de atendimento e atenção;
Ser capaz de comunicar-se e lidar com os múltiplos aspectos da relação médico paciente, médico-serviço e médico-sociedade;
Aprender a aprender continuamente, durante toda a vida profissional, sendo capaz de avaliar criticamente seus saberes e ações.
A Área de Atuação do médico formado pela UNEMAT abrange os seguintes campos e dimensões:
1. Níveis de Atenção à Saúde O profissional está capacitado para atuar nos primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção integral à saúde (atenção primária, secundária e terciária). O curso valoriza fortemente as ações de atenção primária (como a Estratégia de Saúde da Família), mas sem subestimar a atuação em estruturas ambulatoriais e hospitalares de média e alta complexidade.
2. Tipos de Intervenção A atuação médica não se restringe à cura de doenças. O campo de ação envolve o desenvolvimento de atividades voltadas para a promoção, prevenção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo.
3. Grandes Áreas Médicas (Clínicas e Práticas) O campo de atuação clínica do médico abrange as necessidades de saúde em todos os ciclos biológicos. Isso se reflete claramente nas áreas de estágio supervisionado (Internato), onde o profissional atua diretamente:
Saúde do Adulto: Clínica médica, cirurgia geral, dermatologia, terapia intensiva, otorrinolaringologia, cardiologia, ortopedia, traumatologia e urologia.
Saúde da Criança: Pediatria e neonatologia.
Saúde da Mulher: Ginecologia e obstetrícia.
Saúde Coletiva: Epidemiologia clínica, saúde do trabalhador, medicina comunitária e controle social.
Saúde do Idoso e Saúde Mental: Geriatria e psiquiatria.
Urgências e Emergências: Atendimento a pacientes adultos e crianças em unidades de pronto atendimento (UPA) e pronto-socorro.
4. Gestão em Saúde e Liderança O médico atua também como gestor e líder. Sua área de atuação engloba o gerenciamento e a administração da força de trabalho, de recursos físicos, materiais e financeiros. Ele deve trabalhar na gestão da saúde, envolvendo-se na elaboração e implementação de políticas públicas.
5. Educação e Pesquisa Além da assistência, o profissional tem campo de atuação na educação (informando e educando pacientes, familiares e a comunidade) e na produção e difusão de conhecimentos e práticas inovadoras em saúde (pesquisa).
As Competências e Habilidades exigidas do profissional formado em Medicina pela UNEMAT estão detalhadas no Capítulo III do documento e fundamentam-se nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). A formação exige o desenvolvimento de atributos cognitivos, atitudinais e psicomotores, que se dividem em competências gerais e habilidades específicas:
Competências Gerais
Atenção à Saúde: O profissional deve estar apto a desenvolver ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação, tanto em nível individual quanto coletivo. A prática deve ser integrada ao sistema de saúde, pautada em altos padrões de qualidade e nos princípios da bioética, com foco na efetiva resolução dos problemas de saúde.
Tomada de Decisões: A atuação deve ser fundamentada na capacidade de avaliar, sistematizar e decidir a conduta mais apropriada. Isso envolve o uso racional dos recursos médico-científicos, considerando a eficácia e o custo-efetividade (força de trabalho, medicamentos, equipamentos e práticas).
Comunicação: O médico deve ser acessível e capaz de romper barreiras culturais na interação com pacientes, grupos e comunidades. Além de manter o sigilo profissional, deve dominar a comunicação verbal, não verbal, além da leitura e da escrita, articulando-se com outros profissionais de saúde.
Liderança: No trabalho em equipe multiprofissional, deve estar apto a assumir posições de liderança em prol do bem-estar da comunidade. Isso exige compromisso, empatia e habilidades voltadas para a tomada de decisões e gerenciamento eficaz.
Administração e Gerenciamento: O profissional deve ser capaz de realizar o gerenciamento e a administração da força de trabalho, bem como dos recursos físicos, materiais e de informações, atuando como gestor na equipe de saúde.
Educação Permanente: Deve desenvolver a habilidade de "aprender a aprender", mantendo-se em contínuo aprendizado durante toda a prática profissional. Também deve ter compromisso com a formação e o treinamento de futuras gerações de profissionais.
Habilidades Específicas (Práticas e Clínicas) Para prover um cuidado de saúde integral, espera-se que ao longo da formação o estudante adquira o domínio de diversas práticas e habilidades médicas fundamentais:
Domínio dos princípios básicos do exame físico e reconhecimento da anatomia in vivo.
Habilidade para conduzir técnicas de anamnese, formulando questões abertas e utilizando comunicação simples.
Capacidade de realizar procedimentos simples (como aferição de pressão arterial e curativos) e procedimentos de urgência (primeiros socorros, atendimento a pacientes acidentados ou com hemorragia e risco iminente de vida).
Competência para indicar e interpretar exames laboratoriais.
Compreensão dos princípios de aconselhamento e de comunicação de más notícias.
Conhecimento das diversas fases que compõem uma consulta médica completa e capacidade de reconhecer os diferentes níveis de complexidade do atendimento.
A metodologia adotada pelo Curso de Medicina da UNEMAT é pautada nas Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem, rompendo com o modelo tradicional de transmissão passiva de conhecimento. O modelo coloca o estudante como protagonista e responsável pela sua própria aprendizagem, atuando de forma autônoma, enquanto o professor assume o papel de facilitador e orientador do processo.
Os principais métodos e pilares metodológicos que estruturam o curso são:
Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL): É a principal estratégia utilizada nos Módulos Temáticos. Os conteúdos são abordados a partir de problemas ou situações clínicas reais e integradoras. O trabalho ocorre em pequenos grupos tutoriais obedecendo à metodologia dos chamados "7 passos", que envolve: ler o problema, identificar questões, formular hipóteses, resumir explicações, estabelecer objetivos de aprendizado, realizar estudo individual (busca em literatura científica) e, por fim, retornar ao grupo para rediscutir e consolidar o conhecimento.
Metodologia da Problematização (Arco de Maguerez): É o instrumento metodológico utilizado especificamente na unidade de Interação Ensino-Serviço na Comunidade (IESC). Consiste em ir a campo observar a realidade de saúde da população, identificar problemas (problematização), buscar embasamento teórico e, a partir de reflexão crítica, elaborar hipóteses de solução para retornar à comunidade com intervenções práticas que visem à transformação social.
"Aprender Fazendo" (Ação-Reflexão-Ação): O curso substitui a sequência clássica "primeiro teoria, depois prática". A produção do conhecimento ocorre de forma dinâmica através da ação e reflexão conjuntas, o que se traduz pela inserção precoce do estudante (desde o primeiro ano) em cenários reais de prática e serviços de saúde.
Organização Integrada e em "Espiral": O currículo não é fragmentado em disciplinas isoladas tradicionais, mas estruturado em Unidades Curriculares interdisciplinares. A aprendizagem segue a "espiral construtivista", o que significa que um mesmo tema ou processo saúde-doença volta a ser estudado em outros momentos do curso, porém com graus crescentes de complexidade e profundidade.
Medicina Baseada em Evidências: A metodologia orienta a prática clínica, diagnóstica e terapêutica baseando-se nas melhores evidências científicas atuais, estimulando as habilidades de leitura crítica da literatura por parte do estudante.
O Sistema de Gestão do Curso (Organização Acadêmica Interna) é composto pelas seguintes instâncias e coordenadorias:
1. Direção da Faculdade de Ciências da Saúde O Diretor é responsável por executar e articular as atividades de ensino, pesquisa e extensão, atuando de forma integrada com as Pró-reitorias. Suas funções incluem elaborar o plano de atividades e a proposta orçamentária, controlar o emprego de verbas, acompanhar as atividades dos departamentos e estimular a integração com outras instituições e programas de caráter multidisciplinar.
2. Coordenação do Curso de Medicina O Coordenador administra o curso como um todo e toma as providências de ordem administrativa, financeira, disciplinar e pedagógica. É papel do coordenador convocar e presidir o Colegiado de Curso, distribuir ações de ensino, supervisionar atividades, controlar a assiduidade docente, zelar pelos bens patrimoniais e responsabilizar-se pela regularização (autorização e reconhecimento) do curso junto aos órgãos competentes.
A coordenação conta com o apoio direto da Secretaria de Curso, que presta atendimento aos discentes e docentes, mantém a documentação atualizada e orienta o trabalho acadêmico com base nas normativas vigentes.
3. Colegiado de Curso É o órgão deliberativo com a finalidade de coordenar, supervisionar e deliberar sobre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. É composto pelo Coordenador (presidente), 5 representantes docentes, 2 representantes técnicos (PTES) e 1 representante discente. Suas competências incluem aprovar os planos de ensino, acompanhar o desempenho dos professores, e julgar processos de transferências, aproveitamento de estudos e contratação de professores substitutos.
4. Núcleo Docente Estruturante (NDE) Formado por um grupo de 5 a 7 professores altamente qualificados (com mestrado/doutorado e dedicação integral), o NDE é responsável pelos processos de criação, implementação, avaliação e revisão periódica do Projeto Pedagógico do Curso (PPC). O núcleo atua zelando pelo cumprimento das Diretrizes Curriculares Nacionais, consolidando o perfil do egresso e garantindo a integração interdisciplinar.
5. Coordenações de Programas Específicos Para operacionalizar os diferentes eixos metodológicos, a gestão acadêmica é dividida entre coordenações específicas (oficializadas por portaria por períodos de 1 ano):
Coordenador do Programa de Habilidades Profissionais: Estrutura os cenários de prática, supervisionando os Laboratórios de Habilidades Médicas, de Comunicação e Informática, além dos Ambulatórios e do Internato.
Coordenador do Programa de Interação Ensino-Serviço na Comunidade (IESC): Propõe cenários e gerencia as parcerias com as unidades de saúde da comunidade, elaborando os planos de trabalho prático.
Coordenadores do Programa de Módulos Temáticos: Composto por dois docentes (um tutor e um de laboratório morfofuncional), são responsáveis por revisar e ajustar os problemas de estudo (metodologia PBL) e adequar os objetivos à realidade social, além de supervisionar o Laboratório Morfofuncional.
1. Avaliação Institucional e do Curso (SINAES)
O curso segue as diretrizes do Ministério da Educação (MEC) por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), garantindo a qualidade do ensino. O SINAES é composto por quatro instrumentos:
Autoavaliação institucional: Realizada de forma permanente, com resultados apresentados a cada três anos.
Avaliação institucional externa: Feita in loco por uma comissão de avaliadores.
Avaliação das condições de ensino (ACE): Aplicada quando a comissão julga necessária uma verificação.
ENADE: Exame Nacional de Desempenho do Estudante, aplicado no meio e no final do curso.
2. Monitoramento Interno do Programa
O modelo pedagógico exige um sistema de monitoramento participativo e contínuo para aperfeiçoamento constante. Os estudantes participam ativamente dessa avaliação preenchendo fichas ao final de cada módulo ou unidade educacional:
Avaliação do Módulo: O estudante avalia a organização, o conteúdo, o sistema de avaliação e os recursos materiais e humanos.
Avaliação dos Problemas: No método PBL, os alunos avaliam se os problemas foram estimulantes, se os recursos (livros, internet, consultores) foram adequados e se os objetivos foram alcançados.
Avaliação Docente (Tutor): O estudante avalia o desempenho do professor/tutor, sua capacidade de estimular o raciocínio, segurança e relacionamento interpessoal.
3. Avaliação do Estudante
A avaliação do discente tem papel central, combinando avaliação formativa (focada no feedback para aprendizado) e somativa (focada em notas). Baseia-se na "Pirâmide de Miller", avaliando o "saber", "saber como", "demonstrar" e "fazer".
O sistema é adaptado a cada cenário de prática:
Tutoriais (PBL): A avaliação é composta por autoavaliação (o aluno sobre si mesmo), avaliação interpares (colegas avaliando colegas) e avaliação pelo tutor (observando habilidades, atitudes e desempenho). A parte somativa envolve provas escritas teóricas e práticas (Laboratório Morfofuncional).
IESC (Comunidade): Avaliado pelo preceptor usando planilhas semanais de acompanhamento, o "Portfólio do Aluno", seminários, sessões plenárias e uma prova teórica de Saúde Pública no final do semestre.
Habilidades Profissionais: Utiliza o modelo OSCE (Exame Clínico Objetivo Estruturado), que consiste em um circuito de estações práticas (com pacientes simulados, peças ou vídeos) onde o avaliador observa diretamente o desempenho do aluno.
Internato Médico: Focado no ambiente real de trabalho, utiliza o método Mini-CEx (Exercício de mini-avaliação clínica). O estudante atende um paciente real (em até 15 minutos) sob observação direta do docente ou residente, seguido de 5 minutos de feedback imediato.
Avaliação Cognitiva Geral: Teste longitudinal de 50 questões de múltipla escolha aplicado ao final de cada ciclo para avaliar o progresso do estudante. Não compõe a nota final, mas pode contar como horas de atividade complementar.