A Educação Inclusiva entre as reformas educacionais e a Organização do Trabalho Docente na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso pós-pandemia (2021–2025)
Educação Inclusiva; Trabalho Docente; Políticas Educacionais; Neoliberalismo na Educação; Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso.
O presente trabalho é fruto de questionamentos surgidos na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso, no período pós-pandemia (2021–2025), que deram origem à pesquisa intitulada “A Educação Inclusiva entre as reformas educacionais e a Organização do Trabalho Docente na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso pós-pandemia (2021–2025)”. A pesquisa insere-se na linha Práticas de Processos Formativos de Educadores para a Educação Inclusiva do Programa de Pós-Graduação em Educação Inclusiva (PROFEI), ofertado pela Universidade do Estado de Mato Grosso. O objeto de pesquisa surgiu da necessidade de encontrar respostas às vivências dos educadores da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso. Assim, o estudo voltou-se à análise das reformas educacionais pós-pandemia e das políticas de inclusão entre 2021 e 2025, bem como de suas implicações nas condições de trabalho e na carreira profissional dos educadores estaduais, além dos impactos sobre a gestão democrática na escola, conquistada em leis desde os anos 1990 pelos educadores e pela sociedade mato-grossense. Do ponto de vista teórico, para apreender as relações neoliberalizantes na educação da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso, a pesquisa orienta-se pelas contribuições de diversos autores, entre eles Freire (1996), Frigotto (2017, 2022, 2023), Paro (2016, 2018), Antunes (2009), Gramsci (2002), Freitas (2018), Souza (2017) e Vieira (2008). Quanto à metodologia, a abordagem é de caráter qualitativo, desenvolvida em dois movimentos: análise documental e aplicação de formulários a professores da Rede Estadual de Ensino. Desde o período pós-pandemia, a Rede Estadual de Ensino vem sofrendo a adoção de medidas neoliberalizantes e privatizantes, como a implementação de plataformas de ensino, o apostilamento de conteúdos, avaliações uniformizadas e em larga escala, aquisição de pacotes de formação, militarização de escolas, redimensionamento da rede, fechamento de salas de aula e de escolas, além do encerramento de matrículas destinadas à Educação Especial, principalmente na Educação de Jovens e Adultos. Somam-se a isso outras medidas que colocam em risco a aplicabilidade do conceito de Educação Inclusiva, dada a natureza dos processos privatizantes do ensino por meio de contratos empresariais baseados em Contratos de Impacto Social (CIS), que preveem pagamento apenas mediante a apresentação de resultados. A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc/MT) impõe, de forma autoritária, nova legislação e uma nova ordem meritocrática, fiscalista, gerencialista e financista para a educação.