ANÁLISE E PLANEJAMENTO AMBIENTAL DA MICROBACIA MARIANA, ALTA FLORESTA-MT
Planejamento Ambiental; Geotecnologias; Amazônia
A presente dissertação trata sobre a relevância estratégica das microbacias hidrográficas como unidades fundamentais para o planejamento territorial e a gestão ambiental integrada, com ênfase na conservação dos recursos hídricos, na mitigação de impactos hidrossedimentológicos e na promoção da sustentabilidade em áreas sob uso antrópico consolidado. O estudo foi realizado na Microbacia Hidrográfica Mariana I e II, localizada no município de Alta Floresta, na região norte do estado de Mato Grosso, cuja importância socioambiental está associada ao abastecimento hídrico urbano e à manutenção do equilíbrio hidrológico regional. Neste sentido, o objetivo proposto foi o de realizar uma análise de forma integrada e comparativa sobre as microbacias Mariana I e Mariana II, visando subsidiar o planejamento ambiental e a proposição de ações conservacionistas voltadas à conservação dos mananciais de abastecimento do município de Alta Floresta-MT A pesquisa fundamenta-se em arcabouço teórico-metodológico interdisciplinar, integrando geotecnologias, análise morfométrica e avaliação do uso e cobertura da terra, articuladas à legislação ambiental brasileira, com destaque para o Código Florestal e a Política Nacional de Recursos Hídricos e Legislação Estadual e Municipal. A metodologia contempla a caracterização físico-ambiental das microbacias, incluindo análise dos solos, relevo, rede de drenagem e dinâmica de uso da terra, bem como a aplicação do método de Fragilidade Ambiental e da Equação Universal de Perda de Solo (RUSLE), visando identificar áreas de maior vulnerabilidade e potencial erosivo. As análises preliminares indicam cenário de uso antrópico consolidado, com predominância de atividades agropecuárias e fragmentação da vegetação nativa, especialmente em áreas de relevo suave ondulado, favorecidas pela mecanização agrícola. Observa-se tendência de alteração dos processos hidrológicos naturais, com redução da infiltração, intensificação do escoamento superficial e aumento do risco de produção de sedimentos. A Microbacia Mariana I, principal manancial de abastecimento urbano, apresenta maior criticidade em razão da proximidade entre áreas produtivas e a rede de drenagem, enquanto a Mariana II mantém setores relativamente mais preservados, embora igualmente suscetíveis à expansão agropecuária. Considerando o elevado regime pluviométrico regional, tais condições podem intensificar processos erosivos quando associadas à baixa cobertura vegetal e à ausência de práticas conservacionistas. Como produto aplicado, propõe-se zoneamento ambiental estruturado a partir do grau de fragilidade e do potencial de perda de solo, vinculando cada zona a intervenções específicas, tais como recuperação de Áreas de Preservação Permanente, proteção de nascentes, implantação de barraginhas, terraceamento, curvas de nível e adoção de sistemas produtivos sustentáveis. A definição de indicadores de monitoramento deve incluir os seguintes dados: taxa estimada de perda de solo, cobertura vegetal em APPs e qualidade da água. Estes dados podem subsidiar a gestão ambiental e fortalecer a governança territorial, contribuindo para a segurança hídrica municipal e para o desenvolvimento sustentável regional.