NARRATIVAS DE PROFESSORAS QUE ATUAM NO INÍCIO DA ESCOLARIZAÇÃO: identidades e percursos formativos
Palavras-chave: Linguística Aplicada; identidade docente; narrativas; formação de professores; alfabetização.
Nesta pesquisa aborda-se narrativas de professoras alfabetizadoras que atuam no início da escolarização a partir de seus percursos identitários e dos processos formativos, iniciais e continuados. No estudo evidencia-se as experiências de quatro professoras alfabetizadoras em exercício: duas do 1º ano e duas do 2º ano do ensino fundamental, pertencentes a instituições das redes privada e pública de ensino de Sinop, Mato Grosso e reflete-se sobre as diferentes formas de constituição da identidade, consideradas fundamentais, inclusive, para a permanência e atuação na docência. O objetivo geral foi analisar os percursos das professoras que atuam na etapa inicial da escolarização, a partir de suas concepções e narrativas sobre a trajetória docente. De modo específico, buscou-se evidenciar os desafios da alfabetização, identificar as práticas de ensino e de aprendizagem em diferentes contextos, descrever os saberes docentes expressos nas práticas de linguagem e desvelar as identidades das professoras, considerando os percursos formativos pessoais e profissionais no contexto da alfabetização. A linguagem e os sentidos revelados nas narrativas constituíram o objeto central de análise, oferecendo subsídios para compreender os percursos dessas profissionais, suas estratégias e práticas, bem como os desafios enfrentados em suas rotinas escolares, dentre eles, a formação docente, entendida como elemento essencial no ensino e na aprendizagem. Adotou-se como apoio uma abordagem qualitativa e interpretativa tendo a entrevista narrativa como instrumento de geração de dados (Jovchelovitch; Bauer, 2002; Schutz, 2013) que emprega um tipo específico de comunicação cotidiana, ao contar e ouvir histórias. Além disso, destaca que através da narrativa, as pessoas lembram e colocam a experiência em uma sequência de acontecimentos que constroem a vida individual e social. O referencial teórico apoia-se em Nóvoa (1992; 1999; 2000; 2023), que compreende a identidade docente como um processo dinâmico, construído por meio das experiências, práticas e reflexões dos educadores, além de oferecer elementos para a compreensão dos desafios contemporâneos da formação inicial e continuada, especialmente no que se refere à relação entre formação e profissão. Complementam esse referencial Pimenta (1996; 1999; 2005; 2012), ao propor três categorias fundamentais para a configuração da identidade docente, os saberes da experiência, o saber pedagógico e o conhecimento; Soares (2004; 2020), ao discutir os conceitos de alfabetização e letramento, e Dowbor (2008), ao enfatizar a importância de uma aprendizagem significativa, na qual os sujeitos constroem sentidos próprios articulados à sua história de vida e à sua forma de estar no mundo. Por meio da análise de dados, evidenciou-se que as trajetórias pessoais e profissionais das professoras, as quais se entrelaçam na construção do saber pedagógico e na constituição da prática educativa, oferece contribuições para a reflexão da profissionalização docente.