Banca de QUALIFICAÇÃO: FERNANDA MAURA FIRMINO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : FERNANDA MAURA FIRMINO
DATA : 31/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Sala PPGLetras - SINOP - Google Meet
TÍTULO:

A LITERATURA E O DIREITO À HUMANIZAÇÃO: o corpo no feminino e a estética da vulnerabilidade de Lygia Bojunga à Paty Wolff



PALAVRAS-CHAVES:

Paty Wolff; Lygia Bojunga; Direito e Literatura; Temas Fraturantes; Interseccionalidade.


PÁGINAS: 118
RESUMO:

Esta pesquisa oferece um estudo comparativo integrado da produção contemporânea de contos e minicontos de Paty Wolff, na publicação de Como Pássaros no Céu de Aruanda (2021), e o livro O Abraço (2010), de Lygia Bojunga, focando na interdisciplinaridade entre Direito e Literatura. Partindo da ideia de que a ficção constitui um espelho visível das divisões sociais, a pesquisa visa explorar como as histórias refletem questões sensíveis de gênero em contextos históricos e etno-sociais. A voz canonizadora de Bojunga é vista como abrindo caminho no trabalho de confrontar o trauma da violência sexual e do silenciamento doméstico, e sua escrita ofereceu uma dimensão estética não utilitária a isso, dando origem à criatividade e ao re-ser decolonial que Wolff incorpora. No trabalho recente de Wolff, a escrita ultrapassa fronteiras ao enquadrar a interseccionalidade e a ancestralidade como rotas para a cura e resistência. O aparato teórico envolve o Círculo de Bakhtin para enquadrar o texto literário como um local de vozes conflitantes, em que a escrita das mulheres subverte o silêncio institucional para desafiar o discurso dominante no direito. É sustentado pela função humanizadora de Antonio Candido, ligando a teoria crítica de Adorno — a definição de "história sedimentada" para a arte, segundo Adorno — e a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale, iluminando a distância entre fato social e norma abstrata. A análise se baseia na perspectiva interseccional de Kimberlé Crenshaw e Carla Akotirene, posicionada ao lado da ideia de "Escrevivência" estabelecida por Conceição Evaristo, a fim de explorar como fatores como raça, classe e gênero influenciam a subjetividade dos personagens. Em termos de métodos, é um estudo qualitativo, bibliográfico e comparativo que fornece evidências de que a prática literária, ao afirmar a dignidade do "corpo-território" feminino, é uma ferramenta importante na defesa da própria dignidade das mulheres. As descobertas sugerem que as narrativas analisadas fazem mais do que denunciar o crime, mas também abordam deficiências no sistema de justiça que frequentemente revitimizam o sujeito. À medida que o sistema jurídico falha em atingir seu pleno potencial de proteção, a literatura surge como o último bastião, tornando-se um terreno ético e político que pode confrontar o Estado de Coisas Inconstitucional e a amnésia institucional. O trabalho de Wolff, em diálogo com o legado de Bojunga, afirma a continuidade da literatura como espaço de memória, um local de justiça simbólica.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 131983001 - AROLDO JOSE ABREU PINTO
Interna - 131981001 - SHIRLENE ROHR DE SOUZA
Externo ao Programa - 245039003 - SAMUEL LIMA DA SILVA
Notícia cadastrada em: 11/03/2026 11:33
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