Banca de QUALIFICAÇÃO: ROBERTA BEZERRA DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROBERTA BEZERRA DA SILVA
DATA : 30/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/pjb-gzom-xmv
TÍTULO:

“A MULHER NA POLÍTICA NÃO TEM UM MINUTO DE PAZ”: análise textual-discursiva da violência política de gênero


PALAVRAS-CHAVES:

Violência política de gênero; Discurso; Interseccionalidade; Linguagem e poder; Mulheres na política.


PÁGINAS: 68
RESUMO:

Esta pesquisa investiga os mecanismos linguístico-discursivos que constituem a violência política de gênero em enunciados dirigidos à ex-vereadora Graciele Marques dos Santos (PT), primeira mulher vinculada a um partido progressista eleita em Sinop (MT). Ancorado na perspectiva da Análise Textual dos Discursos (Adam, 2011, 2021), o estudo analisa um corpus composto por postagens e comentários públicos publicados em redes sociais e busca compreender como operações textuais de referenciação, predicação, modificação e localização constroem representações discursivas que desqualificam, silenciam e excluem o sujeito político feminino. A análise identificou regularidades discursivas organizadas em três macroeixos: (i) recategorização moral da mulher política, por meio de insultos e julgamentos axiológicos que a deslocam do estatuto de agente político; (ii) deslegitimação e silenciamento da fala feminina no espaço público; e (iii) criminalização moral e política da atuação parlamentar, frequentemente associada à corrupção ou à ameaça à ordem social. Esses funcionamentos se sustentam em metáforas patológicas e morais, como “vagabunda” e “câncer”, que traduzem processos de desumanização e exclusão simbólica. No plano discursivo mais amplo, tais representações se articulam a formações sociodiscursivas e memórias interdiscursivas que reativam matrizes históricas de controle social, como a moral produtivista do trabalho, o patriarcado que regula a presença feminina na esfera pública e a suspeição dirigida a sujeitos de origem popular. A análise interseccional demonstra ainda que a violência política de gênero se intensifica na articulação entre gênero, classe e raça, produzindo formas específicas de deslegitimação da mulher na política. Por fim, conclui-se que a violência política de gênero não se manifesta apenas como agressão individual ou insulto episódico. O fenômeno assume forma discursiva estruturada e se sustenta em memórias históricas de exclusão que se naturalizam na linguagem cotidiana sob a aparência de opinião ou vigilância moral. A pesquisa descreve os mecanismos textuais e discursivos que sustentam esses enunciados e evidencia o papel da linguagem na produção e na legitimação da violência política contemporânea.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 132233001 - VANESSA FABIOLA SILVA DE FARIA
Interna - 62022008 - LEANDRA INES SEGANFREDO SANTOS
Externa à Instituição - VALNECY OLIVEIRA CORRÊA SANTOS - UFMA
Notícia cadastrada em: 11/03/2026 09:39
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