O PROTAGONISMO FEMININO NO ROMANCE JOAQUINA, FILHA DO TIRADENTES, DE MARIA JOSÉ DE QUEIROZ: DIÁLOGOS ENTRE LITERATURA E HISTÓRIA
Literatura e História, Maria José de Queiroz, Memória, Protagonismo feminino
O objetivo precípuo desta pesquisa é analisar a relação do gênero romanesco com a História na obra Joaquina, filha do Tiradentes, de Maria José de Queiróz, evidenciando o tratamento dado ao material histórico, a fim de não se perder a especificidade da estética literária. A proposta visa, mais especificamente, evidenciar o processo de ficcionalização da personagem histórica Joaquina, ao demonstrar os recursos literários utilizados pela autora em sua criação. Maria José de Queiroz, em seu processo criativo, considera as diferentes perspectivas temporais e utiliza a memória como recurso literário. Joaquina, filha do Tiradentes narra a história da protagonista Joaquina, que dá título ao romance, cujo futuro fora comprometido por ser filha “bastarda” do Alferes, nomeado pai da Inconfidência Mineira, Joaquim da Silva Xavier. O conflito central da narrativa gira em torno de Joaquina e sua mãe, destinadas a carregar o peso de um condenado; Joaquina, por ser herdeira, e sua mãe, por ter que esconder e proteger a filha dos algozes da Coroa portuguesa. Literatura e História formam campos diversos de conhecimentos, mas com pontos que as aproximam de tal modo que se torna difícil pontuar em algumas obras o que de fato é fictício e o que é evento histórico. Para a realização da pesquisa, buscou-se aporte teórico nos estudos de Freitas (1989), Lukács (2011), Bastos (2007), Cardoso (2016 e 2018), Barthes (1988), dentre outros. A narrativa Joaquina, filha do Tiradentes coloca em destaque a perspectiva feminina em seu enredo, além disso, promove uma reflexão crítica sobre a Inconfidência Mineira, resgatando aspectos sociais e culturais do século XVIII e ampliando a compreensão sobre a identidade nacional.