CAROLINAS (2021): A LITERATURA DE CAROLINA MARIA DE JESUS COMO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE NOVAS ESCRITORAS NEGRAS
Carolina Maria de Jesus; escrita; mulheres negras; formação; identidade.
Esta pesquisa tem como objetivo realizar uma investigação crítica das estratégias narrativas e temáticas comuns presentes em capítulos selecionados da coletânea Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021). O livro nasceu do desejo de criar espaço para a escrita de mulheres que têm muito a dizer, mas que por muito tempo foram silenciadas no cenário literário racista do país. A obra é fruto da Festa Literária das Periferias (FLUP), festival internacional que acontece anualmente no Rio de Janeiro e promove a cultura literária e atividades relacionadas à leitura em comunidades periféricas tradicionalmente excluídas. A coletânea reúne narrativas de cento e oitenta mulheres negras de diferentes áreas e realidades, inspiradas na trajetória de Carolina Maria de Jesus, a primeira mulher negra brasileira a alcançar reconhecimento internacional com seu livro Quarto de Despejo (1960). As autoras da coletânea exploraram diferentes gêneros como conto, crônica, diário, dentre outros. Para a presente pesquisa, foram analisadas duas partes que compõem a obra: “Crônicas Carolinas”, organizado por Eliana Alves Cruz e “O diário dos diários de Carolinas” organizado por Fred Coelho, parte dois e três da coletânea, respectivamente. Para alcançar os objetivos proposto seguimos o caminho metodológico de pesquisa bibliográfica e análise literária, respaldada teoricamente em estudos realizados, selecionados a partir das temáticas detectadas na leitura, no estudo detalhado do corpus e de abordagens associadas ao tema. A presente pesquisa ancora-se na teoria literária tendo como referencial teórico as análises das partes selecionadas. Para as questões concernentes à racialidade Sueli Carneiro (2023) e Lélia Gonzalez (2020); sobre dororidade, Vilma Piedade (2017) dentre outras, para compreender os desafios enfrentados por mulheres negras na sociedade brasileira. O processo de formação de novas escritoras negras consolida a escrita das escritoras da coletânea e se configura como ponte, possibilitando vínculos que ultrapassam as barreiras do tempo e do espaço garantindo a (re) construção de memórias e saberes pela representação do passado e projeção do futuro.