TOM, UM MENINO ESPECIAL: A REPRESENTAÇÃO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA LITERATURA INFANTOJUVENIL
Palavras-chave: Literatura infantojuvenil; Transtorno do Espectro Autista; Inclusão; Representatividade; Educação literária.
A presente pesquisa parte do reconhecimento da escassez de representações de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na literatura infantojuvenil, como também de poucos estudos desse tema na literatura. A obra Tom (2012), escrita e ilustrada por André Neves e vencedora do Prêmio Jabuti em 2013, constitui-se como objeto central de análise, por apresentar a narrativa de um menino autista mediada pela voz do irmão-narrador. A partir dessa obra, busca-se compreender de que modo a literatura pode contribuir para a humanização das diferenças, a formação leitora e a inclusão de sujeitos atípicos. O trabalho adota como metodologia a análise bibliográfica e comparativa, articulando Tom a outras produções literárias que tematizam o universo do autismo. A investigação considera não apenas os elementos narrativos e textuais, mas também a visualidade e as escolhas estéticas do autor, observando a construção de sentidos que emergem da interação entre texto e imagem. A análise da subjetividade do personagem Tom evidencia sua relação com a família e com o meio social, explorando o simbolismo da comunicação não verbal, do isolamento e da busca por compreensão. O referencial teórico integra estudos sobre políticas de inclusão, bem como abordagens críticas acerca da representação do autismo na história. Destaca-se a contribuição de Edith Sheffer, em Crianças de Asperger: As origens do Autismo na Viena nazista (2019), cuja perspectiva histórica permite compreender a estigmatização e a marginalização das pessoas autistas desde o século XX. Aliam-se ainda as reflexões de Antonio Candido (1999), que defende a literatura como direito de todos em função de seu caráter humanizador; e estudiosos da mediação da leitura, tais como Cecilia Bajour (2009), Annie Rouxel (2007) e Michèle Petit, que enfatizam a subjetividade, a autonomia e o papel formativo da experiência literária. O estudo busca identificar como essas obras contribuem para o enfrentamento dos estigmas sociais que rotulam comportamentos e limitam o potencial humano, promovendo, em contrapartida, espaços de empatia e reconhecimento da diversidade. Conclui-se que a literatura infantojuvenil, ao tematizar o autismo por meio de narrativas simbólicas e inclusivas, constitui-se como ferramenta pedagógica significativa, capaz de sensibilizar leitores, ampliar horizontes interpretativos e fomentar práticas educativas mais humanizadoras. Essa perspectiva contribui não apenas para a formação de leitores críticos e empáticos, mas também para a construção de uma sociedade mais inclusiva, na qual as diferentes formas de existência sejam reconhecidas e valorizadas.