FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: MEDIAÇÃO DE LEITURA A PARTIR DE CINCO CONTOS DA OBRA NÃO PRESTA PRA NADA, DE MARTA HELENA COCCO
Formação do leitor literário, Sequência didática, Não presta pra Nada.
Este estudo parte da compreensão de que a leitura literária como prática social mediada, pode ser capaz de promover sensibilização, reflexão crítica e ampliação de repertório cultural. Nesse contexto, essa pesquisa teve como objetivo analisar de que modo a mediação da leitura literária, realizada por meio da aplicação de uma sequência didática com cinco contos da obra Não presta pra nada (2016), de Marta Helena Cocco, pode contribuir para a constituição de aspectos formativos do leitor no 1º ano do Ensino Médio. De abordagem qualitativa e natureza exploratória, a pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da pesquisa-ação, ao envolver planejamento, aplicação e análise de uma intervenção pedagógica em contexto real de sala de aula. O aporte teórico está ancorado nos estudos de Cosson (2009; 2018), Colomer (2007), Candido (1981), Zilberman (1991), Martins (1988), Voltoline (2020) e Cocco (2009; 2016), que discutem literatura, formação do leitor e valorização da produção literária regional. A sequência didática foi desenvolvida em cinco aulas, ao longo de duas semanas, na Escola Estadual 21 de Abril, no município de Juína/MT. As atividades incluíram apresentação da autora, leitura em grupos, discussão mediada, exibição de vídeo, produção de ilustrações e aplicação de questionário diagnóstico antes da intervenção e questionário avaliativo ao final. Os dados do questionário diagnóstico evidenciaram fragilidade do hábito leitor entre os estudantes. Embora reconheçam a importância da leitura, a maioria declarou não manter prática regular de leitura literária, demonstrando preferência por conteúdos digitais. Após a intervenção, observou-se recepção majoritariamente positiva da obra, com destaque para o reconhecimento de temáticas relacionadas a gênero, desigualdade social e experiências familiares. Verificou-se também fortalecimento simbólico da literatura mato-grossense, ainda que a ampliação autônoma do repertório regional não tenha ocorrido de forma imediata, evidenciando que a formação do leitor literário não se consolida por meio de ações pontuais, mas requer continuidade e condições estruturais adequadas. Ainda assim, a sequência didática mostrou-se capaz de mobilizar reflexões e indícios de constituição formativa, reafirmando o potencial da literatura produzida em Mato Grosso como parte integrante da literatura brasileira e como recurso relevante para a formação leitora no Ensino Médio, desde que inserida de forma sistemática e mediada no contexto escolar.