ANCESTRALIDADE E QUESTÕES IDENTITÁRIAS NA LITERATURA INFANTIL NEGRA BRASILEIRA DE ELIANA ALVES CRUZ
Literatura infantil negra; Eliana Alves Cruz; Ancestralidade; identidade
Esta pesquisa trata da literatura de Eliana Alves Cruz que se destina ao público infantil, refletindo sobre as questões concernentes à memória, à identidade e à ancestralidade a partir das narrativas A copa frondosa da árvore (2019), O desenho do mundo (2022) e Milena e o enigma do pássaro antigo (2025). A problemática central consiste em refletir sobre o espaço destinado à infância negra nas obras literárias. Nessa perspectiva, faz-se relevante analisar se o ambiente escolar, por meio da prática pedagógica, tem contribuído para a promoção de relações raciais positivas, bem como compreender o papel da literatura na construção e no fortalecimento da identidade dos sujeitos negros. Nesse sentido, partimos do pressuposto de que a representação da criança negra na literatura infantil promove a valorização da diversidade étnico-racial, deslocando para o centro da reflexão temas que combatem o racismo estrutural, tais como memória, história e ancestralidade; nesta perspectiva, há importantes mudanças estéticas no texto literário, com a inclusão de plásticas que remetem ao mundo diverso. A motivação deste projeto de pesquisa é destacar a importância da literatura infantil negra e de sua inserção desde a etapa inicial de ensino, sendo fundamental do processo formativo. Nesse período, a literatura contribui para a construção da identidade racial das crianças, para a valorização do próprio corpo e das características fenotípicas, bem como para a prevenção de processos de apagamento literário ao longo de sua formação. O objetivo geral é ampliar as discussões sobre o racismo estrutural a partir da literatura infantil, na qual a representação da criança negra redimensiona questões críticas da sociedade plural. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, amparando-se na revisão bibliográfica, estudos culturais, análises literárias e o método indutivo. A investigação traça o seguinte percurso: primeiro estabelece a introdução da pesquisa, em seguida, pautou-se em dissertar sobre a resistência ancestral, as infâncias negras e os impactos do racismo; posteriormente, refletir sobre o papel da criança negra nas obras, com a análise histórica da literatura infantil e sua importância, o desvelar dos principais autores e Eliana Alves Cruz; por fim, apresentar uma análise crítica das narrativas infantis da autora. O aporte teórico segue o viés dos estudos culturais e se divide em cinco seções, dialoga-se com autores, como Munanga (2004), Carneiro (2023), Bento (2022), Almeida (2019), Nascimento (2021), Gonzales (2020), Gomes (2019) e Nêgo Bispo (2015; 2023), com as contribuições de Heller (2013) na psicologia das cores e Ramos (2013) com a análise ilustrativa. Os resultados alcançados demonstram que as crianças negras ao reconhecer-se nas obras de literatura infantil adquirem uma representação positiva de si, de modo a desenvolverem sentimentos de autoestima, autoaceitação e valorização de sua identidade racial.