Banca de QUALIFICAÇÃO: Julianna Alves Bahia

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Julianna Alves Bahia
DATA : 23/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Plataforma Google Meet
TÍTULO:

A AUTOFICÇÃO NA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE TEREZA ALBUES


PALAVRAS-CHAVES:

Regionalismo; Memória; Ficção; Autoficção; Albues. 


PÁGINAS: 173
RESUMO:

À luz do conceito de autoficção, salientando a imbricação entre memórias fragmentadas e criação literária na construção narrativa da escritora mato-grossense Tereza Albues, este trabalho objetiva analisar as obras Pedra Canga (1987), Chapada da palma roxa (1990), A travessia dos sempre vivos (1993) e O berro do cordeiro em Nova York (1995) com o intuito de investigar através de quais meios a escritora cria o seu universo autoficcional, explorando a intersecção entre suas vivências e sua imaginação, na linha tênue, muitas vezes imperceptível e deliberada, entre o real e o ficcional. Para isso, utilizar-se-ão os estudos de teóricos que se dedicaram às pesquisas sobre a autoficção como Colonna (1989, 2004), Doubrovsky (1977, 1980, 2010), Faedrich (2022), Figueiredo (2013), Gasparini (2009), Jeannelle (2007), Lecarme (1993), Lejeune (1993, 2008), Noronha (2014), Perrone-Moisés (2016) e Vilain (2005, 2009). Ademais, após pesquisas sobre a trajetória da vida e da produção literária de Albues, é possível reconhecer familiaridades entre algumas informações incluídas em suas tramas e suas experiências pessoais. Um dos recursos utilizados pela autora para ratificar o pacto autoficcional dessas narrativas, é a exploração do espaço em que estas se passam, tendo em vista os conflitos humanos são desenvolvidos em pequenas cidades do interior do Mato Grosso. Nesse contexto, a escritora, por meio de lembranças particulares e coletivas, reconstrói o cenário onde viveu sua infância, inserindo elementos fantásticos, sem, contudo, deixar de valorizar e propagar as peculiaridades do povo mato-grossense - suas crenças, seus valores, sua percepção e concepção de mundo, bem como os hábitos e os costumes locais -, sem recorrer, cabe salientar, para o exótico e o pitoresco. Nesse sentido, também serão estudados os aspectos do regionalismo nos romances em análise nesta pesquisa, fundamentando-se em teóricos que se dedicaram a essa temática, tais como Bosi (2015), Candido (2000a, 2000b), Chiappini (1995, 2014), Perrone-Moisés (2016) e Schøllhammer (2009). Além disso, a pesquisa intenta observar como a memória individual da autora, permeada pela memória coletiva daqueles que fizeram parte de sua vida, entrelaçam-se na construção da narrativa e contribui para a elaboração de um enredo com elevado valor estético, possibilitando também sua própria (re)construção identitária, com base na teoria de Halbwachs (1990), Nora (1993), Ricoeur (2007), Sarlo (2007) e Assmann (2011). Demonstrando, dessa forma, que Albues reinventou suas experiências pessoais em um espaço literário muito bem delineado, valendo-se das mais diversas estratégias autoficcionais, mesmo sendo um gênero pouco conhecido e debatido na época em que publicou as referidas obras.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 82304001 - JESUINO ARVELINO PINTO
Interna - 339812001 - MARISA MARTINS GAMA KHALIL
Externo à Instituição - ROSANA CRISTINA ZANELATTO SANTOS - UFMS
Notícia cadastrada em: 25/08/2026 16:46
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