"O corpo tocado pelo mal": Interdito e Transgressão em Salvar o fogo, de Itamar Vieira Junior
Salvar o fogo; Transgressão; Interdito; Romance Brasileiro Contemporâneo; Mal.
A presente dissertação realiza uma análise da obra Salvar o Fogo (2023), de Itamar Vieira Junior, a partir de uma leitura batailliana e decolonial, com o objetivo de enfocar a narrativa sob o tripé mal, violência e sagrado. O estudo parte de uma contextualização da origem dos interditos e das transgressões, conceitos centrais em Georges Bataille (2021), além de tensioná-los em um contexto em que perduram as opressões da colonialidade. Na narrativa em questão, a experiência e a presentificação do Mal relacionam-se ao processo de configuração das personagens, sobretudo no que diz respeito à construção estética e social dos protagonistas. Metodologicamente, adotou-se um estudo bibliográfico, mobilizando os conceitos de autores como Quijano (2005; 2009) e Maldonado-Torres (2018) acerca da colonialidade; somando-se a isso as contribuições de Gonzalez (1984), Spivak (2010) e Lugones (2020), que auxiliam na abordagem da questão da mulher no processo colonial; Fanon (2008), Simas e Rufino (2020), Nogueira (2021), Bento (2022) sobre as implicações da colonização na vida dos indivíduos e na sociedade; e de Antonio Candido (2014) a respeito da relação entre obra e sociedade presente na Trilogia da Terra, de Itamar Vieira Junior. A análise demonstra que a transgressão funciona, no romance, como uma ferramenta decolonial. Desse modo, Moisés e Luzia iniciam um processo necessário para romper com as opressões presentes na narrativa e em nossa sociedade, que parte da averiguação dos fatos e do resgate da história que persistentemente é apagada e ignorada.