LITERATURA E ENSINO: A EMANCIPAÇÃO DO LEITOR NO CHÃO DA ESCOLA
Literatura; Estética da Recepção; Método Recepcional; Ensino; Humanização.
Este estudo examina a formação do leitor literário em ambiente escolar, considerando o contexto contemporâneo afetado pelo excesso de informações e pela diversidade de mídias que, muitas vezes, inibem a capacidade crítica e criativa do leitor. O fomento à leitura literária no chão da escola requer a promoção de ações que subsidiem a proficiência e a ampliação dos horizontes de expectativas, tendo em vista o compromisso e o empenho de pelo menos cinco elementos: a escola, os alunos, o professor mediador, os escritores e a universidade. Esta pesquisa amplia o debate sobre o perfil do leitor na contemporaneidade, investigando os fatores que delineiam essa caracterização, no intuito de demonstrar que somente a prática consciente e organizada desses elementos pode vir a modificar certas estruturas arraigadas em sobre a leitura da literatura em nossa sociedade. Emerge, nesta tese, um arcabouço teórico que circunda conceitos relacionados ao leitor, à leitura, à formação de leitor, e à literatura, bem como a fusão desses conceitos com experiências de leitura literária vivenciadas por alunos do ensino fundamental e médio. A análise adota uma abordagem qualitativa, baseada no método recepcional, com ações confluentes de revisão bibliográfica, produção de crítica, análises literárias e verificação de conceitos. No percurso do estudo, as ações vivenciadas no chão da escola contemplam a análise das obras Bisa Bia, Bisa Bel e Tropical Sol da Liberdade, ambas de Ana Maria Machado, seguidas pela avaliação da recepção dessas obras pelos alunos. O diálogo com vários autores é fulcral para embasar as discussões, incluindo as contribuições de Jauss (1994), com a “Estética da recepção”, as reflexões de Bordini e Aguiar (1998), acerca do “Método recepcional”, as ponderações de Iser (1996), Eco (2013) e suas elucubrações sobre os vazios do texto e, as considerações e crítica de Candido (1972), no que concerne ao papel da literatura na humanização do ser. Dentre outros autores que dialogam sobre a importância da literatura na formação do leitor, valiosas são as contribuições de Flory (2010), Lima (2002), Regina Zilbermann (1989) e Marisa Lajolo (1993). Contíguo à pesquisa teórica, sobrevém a pesquisa de campo tencionando observar, ainda que de forma rudimentar, o engajamento dos alunos com a literatura, e verificar uma possível emancipação do indivíduo por meio da leitura.