DINÂMICA DO USO DA ÁGUA NO CULTIVO DO ALGODOEIRO NO ESTADO DE MATO GROSSO: INTEGRAÇÃO ENTRE MANEJO DA IRRIGAÇÃO, CONSUMO HÍDRICO E CONDIÇÕES FÍSICO-HÍDRICAS DO SOLO
Gossypium hirsutum L.; Pivô central; Lisimetria de pesagem; Coeficiente de cultura; Manejo da irrigação.
O algodão desempenha um papel estratégico no agronegócio de Mato Grosso, onde a intensificação produtiva e a instabilidade climática tornam a irrigação suplementar essencial para a cultura. Diante da necessidade de aprimorar as estratégias de manejo hídrico, esta dissertação teve como objetivo analisar de forma integrada a dinâmica do uso da água no cultivo do algodão (Gossypium hirsutum L.) no estado, integrando a expansão territorial da irrigação, a calibração experimental da demanda hídrica e a dinâmica termohídrica do perfil do solo. No artigo I, foi analisado a evolução espaço-temporal dos sistemas de pivô central entre 2000 e 2022 utilizando dados geoespaciais da ANA e do MapBiomas no software QGIS. Constatou-se uma expansão de 13.286 ha para 166.133 ha na área irrigada, concentrada principalmente nas regiões intermediárias de Sinop e Rondonópolis, sobre bacias como Alto Teles Pires e Alto Rio das Mortes e no bioma Cerrado, evidenciando ligação com os polos de produção e destacando a necessidade da regionalização dos parâmetros da FAO-56. No artigo II, quantificou-se o consumo hídrico (ETc), os coeficientes de cultura (Kc e Kc dual) e os componentes de rendimento em lisímetros de pesagem de precisão sob três texturas de solo (arenoso, argiloso e muito argiloso) em Tangará da Serra - MT. Os resultados demonstraram que a textura do solo altera a demanda evaporativa e a morfologia vegetal, onde o solo arenoso apresentou a maior produtividade em caroço (4.518,0 kg ha⁻¹), enquanto o solo muito argiloso apresentou um alto vigor vegetativo e menor produtividade (3.414,0 kg ha⁻¹), e o argiloso demonstrou menor índice de área foliar e redução no Kc (0,98). No artigo III, analisou-se o microclima do perfil do solo, avaliando a temperatura (10 a 40 cm) e a umidade volumétrica (0 a 40 cm) sob as mesmas texturas. Pode-se verificar que a profundidade e o dossel amortecem o fluxo de calor, sendo a umidade o principal regulador da amplitude térmica por meio de um decaimento exponencial. A camada de 20–40 cm nos solos argilosos e muito argilosos apresentou estabilidade termohídrica, enquanto o solo arenoso exibiu maior vulnerabilidade térmica superficial e rápida drenagem. Os resultados indicam que a integração entre valores regionalizados de Kc, zoneamento das classes texturais e práticas de manejo que favoreçam o aprofundamento do sistema radicular pode contribuir para maior eficiência no uso da água, melhor aproveitamento dos recursos edáficos e manutenção de elevados níveis de produtividade e qualidade da fibra.