PRODUÇÃO, CARACTERIZAÇÃO E APLICAÇÃO DE BIOCARVÃO OBTIDO
DE PALHA DE MILHO COMO ADSORVENTE PARA REMOÇÃO DE CORANTE TÊXTIL EM MEIO AQUOSO
Pirólise. Ativação química. Adsorção
As atividades agrícolas no estado de Mato Grosso geram grandes volumes de palha de milho, cujo manejo inadequado pode causar impactos ambientais e operacionais no campo. A conversão dessa biomassa em biocarvão por pirólise surge como alternativa de valorização de resíduo, com potencial aplicação
como adsorvente devido à porosidade e à presença de grupos funcionais superficiais. Paralelamente, efluentes da indústria têxtil podem conter corantes reativos com elevada estabilidade e difícil remoção por tratamentos
convencionais, como o vermelho reativo BF-4B, de caráter aniônico. Nesse contexto, este trabalho teve por objetivo avaliar o potencial de biocarvões produzidos a partir de palha de milho como adsorventes para remoção de corante têxtil em meio aquoso. Os biocarvões foram produzidos após pré- tratamento da biomassa (corte e moagem) e ativação química com ácido fosfórico 85%, seguida de secagem e pirólise conforme delineamento fatorial completo 2 2 com três repetições no ponto central, variando temperatura (300,
500 e 700 °C) e tempo de residência (1, 3 e 5 h). A eficiência adsortiva foi avaliada em ensaios em batelada (7 h, agitação em shaker), quantificando a remoção do corante por espectrofotometria UV-Vis a 510 nm. Como resultados parciais, o planejamento experimental indicou maiores remoções nas condições 500 °C/3 h (92,93 ± 2,04%; 91,31 ± 0,46%; 89,17 ± 1,40%), 700 °C/1 h (90,04 ± 1,08%) e 700 °C/5 h (89,78 ± 0,96%), sem diferença estatística entre esses tratamentos (Tukey, p<0,05p<0,05), enquanto 300 °C/1 h apresentou
desempenho intermediário (58,96 ± 7,96%) e 300 °C/5 h o menor valor (31,90 ± 2,90%). A ANOVA indicou que os efeitos de temperatura, tempo e interação não foram significativos (p>0,05p>0,05), sugerindo desempenho semelhante dentro da faixa ótima entre 500–700 °C. Visando maior sustentabilidade
energética, a condição de 500 °C por 1 h foi testada, obtendo 90,79 ± 1,81% de remoção, sem diferença significativa em relação a tempos maiores na mesma temperatura. A caracterização por FTIR evidenciou que o aumento da severidade de pirólise promove transição de uma matriz mais funcionalizada (bandas de O–H, C–H alifático e C=O) para uma estrutura mais aromática emcondensada (C=C aromático), com redução de grupos oxigenados em temperaturas mais elevadas. Assim, a continuidade do estudo foi direcionadaao biocarvão produzido a 500 °C/1 h, por combinar alta eficiência de remoção emenor custo energético de processamento.