PRODUÇÃO DE FEIJÃO DE SEQUEIRO EM MATO GROSSO: DINÂMICA PRODUTIVA, VARIABILIDADE HÍDRICA E MANEJO DO DÉFICIT HÍDRICO
Balanço hídrico; estresse hídrico; Phaseolus vulgaris; prolina; regime pluviométrico
A cultura do feijão desempenha papel fundamental na segurança alimentar, especialmente em sistemas de sequeiro, nos quais a produção é fortemente influenciada pelas condições climáticas. No estado de Mato Grosso, a distribuição da produção e a variabilidade da precipitação são fatores determinantes para o desempenho da cultura. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo caracterizar a produção de feijão de sequeiro no estado, analisar o regime pluviométrico e o balanço hídrico climatológico em municípios representativos, bem como avaliar os efeitos do déficit hídrico e propor estratégias de manejo. Para a caracterização da produção, foram utilizados dados da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no período de 2015 a 2024, permitindo identificar padrões espaciais da cultura. A análise do regime pluviométrico foi realizada com base em dados do conjunto ERA5-Land, abrangendo o período de 1970 a 2025, com estimativa do balanço hídrico climatológico para os municípios de Sorriso, Primavera do Leste e Nova Ubiratã. Adicionalmente, foi conduzido um experimento em ambiente protegido no município de Tangará da Serra (MT), em delineamento de blocos casualizados, em esquema fatorial 3 × 3, avaliando três níveis de disponibilidade hídrica (25, 50 e 100% da capacidade de retenção de água no solo) e três concentrações de prolina (0, 5 e 10 mmol L-1). Os resultados evidenciaram que a produção de feijão no estado apresenta concentração em polos produtivos específicos e está mais associada às variações na área cultivada do que a mudanças na produtividade. Do ponto de vista climático, observou-se elevada variabilidade interanual das chuvas, com estações seca e chuvosa bem definidas, que podem influenciar diretamente o desempenho da cultura. O balanço hídrico indicou que não há restrições significativas para a semeadura na primeira safra, enquanto, na segunda safra, a antecipação do plantio constitui estratégia importante para reduzir os riscos associados ao déficit hídrico. Verificou-se, que o déficit hídrico promoveu reduções significativas nas variáveis morfológicas do feijão-comum, com efeitos mais intensos sob estresse severo, enquanto a aplicação foliar de prolina não apresentou eficácia na mitigação desses efeitos. Conclui-se que a produção de feijão em sistema de sequeiro em Mato Grosso é fortemente condicionada por fatores estruturais e climáticos, especialmente pela disponibilidade hídrica. Estratégias de manejo, como o planejamento adequado da época de semeadura, são fundamentais para a estabilidade produtiva, enquanto o uso de prolina exógena, nas condições avaliadas, não se mostra uma alternativa eficiente. Esses resultados fornecem subsídios para o planejamento agrícola e a tomada de decisão, contribuindo para o fortalecimento da produção e da segurança alimentar.